Dorico da SilvaPittbull, animal em evidência devidos aos ataques a humanosNo mundo, as raças de cães estão sempre sendo renovadas na preferência popular, especialmente no Brasil. Houve anos em que a raça mais temida pelas pessoas, pelo seu porte e ferocidade, era o pastor alemão (ou policial, como ficou conhecido por causa do uso pelas forças armadas e Polícia Militar). Até a década de 70, era o cão de maior preferência.
Por causa de cruzamentos indiscriminados, a raça foi perdendo sua pureza. Somente um órgão no Brasil atesta o pedigree. ‘‘Todos os cães pastor alemão, além de terem a origem estudada, têm de passar por uma prova de trabalho (adestramento e comportamento). Os cães puros são tatuados’’, explica a diretora do Kennel Club de Londrina, Joane Nishi Kanashiro. Hoje, a maioria dos cães considerados da raça é, na realidade, mestiço.
Como o pastor alemão, os cães doberman também tiveram o seu momento de esplendor na preferência popular, principalmente nos anos 80, juntamente com os rottweiler e os fila brasileiro. ‘‘A televisão influencia muito na procura das raças. À medida em que se divulga mais um animal que o outro, as pessoas procuram por modismo ou por acharem que serão melhor como cão de guarda’’, assegura a também diretora do Kennel Club, Elisa Matie Nishi.
Dorico da SilvaPastor alemão ou policial, uma raça temida no passadoCom a grande procura pelas raças, acontece o que os Kennel Club mais temem: o cruzamento sem critério de animais. A pureza da raça vai se degradando lentamente e muitos animais se tornam mestiços. Há casos até que a venda de determinados cães se faz de forma equívoca, como ocorreu com os pequinês, muito em moda nos anos 70.
Joane conta que os animais conhecidos como pequinês no Brasil eram mestiços ou vira-latas com algumas características da raça. ‘‘Eu só conheci o verdadeiro pequinês há pouco tempo.’’ Elisa explica que uma das características do pequinês brasileiro era ser ‘‘ranheta’’, ou seja, latir bastante. ‘‘O verdadeiro é manso e dócil’’, completa.
Dorico da SilvaRottweiler, temido pela fama de ser violentoAlém da mistura, há ainda as histórias inventadas para justificar o comportamento de determinadas raças, como doberman - que surgiu do cruzamento de cães no século passado na Alemanha, numa iniciativa de Luiz Doberman, que precisava de um cão de guarda e de companhia nas suas viagens.
Conta-se que o cérebro dele cresce mais que a caixa craniana (uma das características da raça é a cabeça pequena), comprimindo o cérebro. ‘‘Dizem que por isso o doberman é bravo. Mas é pura crendice. Se isso acontecer, o cão entra em coma’’, explica Joane. (A.S.)

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