PASSO A PASSO DO SEQESTRO
1º de julho
7h30 - Como faz todos os dias, o estudante de Direito Celso Garla Filho, então com 17 anos, (filho de um advogado com uma publicitária) pega carona com o colega de sala, Thiago Lunnardelli Fonseca, 18 anos (filho de um comerciante do ramo de auto-peças). Os dois seguem para a aula no campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar), próximo ao Shopping Catuaí (zona sul) num Corsa prata dirigido por Thiago.
8 horas - Os estudantes chegam à Unopar e estacionam o veículo na rua lateral do campus. Neste momento, dois homens (Claudemir e Oreles) armados se aproximam e rendem os estudantes, que são colocados no banco traseiro do Corsa e obrigados a olhar para o chão. Seguem até a Mata do Godoy (zona sul), onde ficam até o anoitecer.
13 horas - Um homem (Claudemir) liga do telefone celular de Thiago para o pai de Celso, o advogado Celso Garla, anuncia o sequestro e pede um resgate de R$ 500 mil. O homem combina de fazer um novo contato com a família na manhã do dia seguinte.
18 horas - O delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, confirma o duplo sequestro mas pede para a imprensa não divulgar a informação. O ''QG'' da polícia é montado na casa de Edson Fonseca, pai de Thiago.
20 horas - Da mata, os dois estudantes são encapuzados e colocados no porta-malas do Vectra verde, pertecente ao advogado Décio Vanderlei Nogueira, 35 anos. Eles rodam por cerca de 40 minutos e chegam até uma residência, em Ibiporã, que serviu como o segundo cativeiro.
21 horas - A Polícia encontra o Corsa de Thiago abandonado no estacionamento próximo à reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
23 horas - Equipes do Tigre, especializadas em casos de sequestro, chegam à cidade para auxiliar nas investigações.
2 de julho
Manhã - O segundo contato prometido pelo sequestrador não é feito.
3 de julho
6h30 - Sob o comando do delegado-operacional da 10 SDP, Sérgio Luiz Barroso, policiais civis entram em mais de uma dezena de motéis na região oeste de Londrina, mas não encontram nada que possa ter ligação com o sequestro
16 horas - Viaturas do Tigre e da Polícia Civil seguem em diligência para a região oeste de Londrina. Eles vasculham dezenas de barracos vazios no Conjunto João Turquino mas não apuram nenhuma informação relevante para o caso.
19 horas - Os estudantes são retirados da casa em Ibiporã e são colocados novamente no porta-malas do Vectra de Nogueira. Rodam até o Residencial San Pablo (zona sul), onde mora o advogado. Nas proximidades, eles são colocados em uma moto para entrarem no condomínio.
4 de julho
Os estudantes permanecem escondidos no apartamento de Nogueira.
5 de julho
18h30 - Os estudantes são novamente colocados no porta-malas do Vectra de Nogueira e rodam por cerca de 30 minutos. O veículo pára próximo ao viaduto do Shopping Catuaí. Mesmo sem o pagamento do resgate de R$ 500 mil, os sequestradores libertam os dois estudantes do porta-malas e dizem para eles andarem sem olhar para trás.
19 horas - Depois de caminharem até a avenida Higienópolis, Thiago encontra um amigo e os estudantes seguem para casa.
12 de julho
9 horas - O advogado Décio Vanderlei Nogueira é preso quando recebia atendimento médico na Santa Casa de Londrina. Os estudantes reconhecem objetos pertencentes a Nogueira e o apartamento onde ficaram.
14 horas - Em depoimento ao delegado Barroso, o advogado confessa que participou do sequestro mas aponta Celso Garla, pai de um dos estudantes sequestrados, como mentor do crime.
14 de julho
15 horas - Barroso faz acareação entre Nogueira e Garla. O advogado preso reafirma que Garla teria planejado o sequestro. O pai do estudante sequestrado rebate as acusações e diz que Nogueira está mentindo.
18 de julho
10h30 - A polícia mostra à imprensa o segundo cativeiro usado pelos sequestradores. Uma residência no Jardim Brasília, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
16 horas - É divulgado os nomes e as fotografias de outros três envolvidos no sequestro: Claudemir Sandoval, Oreles Timph e Luciano Ribeiro dos Santos.





