Passes de ônibus terão data de validade
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sábado, 27 de dezembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Ossamu KandaDivergênciasUsuários do transporte coletivo aprovam a mudança, mas não gostaram da falta de prazo para a troca dos passes vencidos Os passes do transporte coletivo de Maringá terão prazo de validade a partir de 1º de janeiro. A medida, adotada pela Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC), concessionária do serviço na cidade, visa acabar com o mercado paralelo. Os passes emitidos até novembro passado, que não possuem data de validade impressa, serão aceitos somente até 31 de dezembro, quarta-feira. A mudança divide a opinião dos usuários, que criticam a possibilidade de perder os passes vencidos.
O gerente executivo da TCCC, Roberto Jacomelli, explica que a adoção de prazo de validade foi uma necessidade para acabar com o uso indevido dos passes. Ele diz que não tem um levantamento preciso, mas garante que o volume de passes no mercado paralelo é grande. Apenas para comparar, Jacomelli apresenta os resultados da mudança no sistema de vale-transporte da prefeitura.
Desde agosto passado, os servidores municipais estão recebendo passes personalizados com nome, dia e horário de validade. A mudança, explica Jacomelli, reduziu em dois terços os gastos da prefeitura com o vale-transporte. Hoje é comum a utilização do passe para a compra de alimentos, cigarro e até bebida, o que é ilegal, explica Jacomelli. Ele diz que a empresa já detectou também que o comerciante cobra um ágio do cliente e depois repassa com descontos aos cobradores da TCCC.
Quem ganha, segundo ele, é sempre o atravessador. Com a validade impressa nos passes, a empresa pretende acabar com o mercado paralelo e evitar falsificações. Ainda não detectamos casos de passes falsos, mas com o novo sistema não haverá tempo para o comércio irregular de grandes volumes de passes, explica Jacomelli. Ele deixa claro que a adoção de prazo de validade é permitida através de decreto federal, da lei que regulamenta o vale-transporte.
A legislação, continua Jacomelli, permite também que a empresa não troque ou reembolse os passes vencidos. Acredito que os usuários não serão prejudicados porque quem tem muitos passes são os atravessadores, afirma. Os usuários, no entanto, estão divididos. A maior parte critica a falta de um prazo para a troca dos passes vencidos. Nem todo mundo recebe o número de passes exato para um período, diz o comerciante José França. Ele mora em Santa Catarina e tem parentes em Maringá. Venho pelo menos uma vez por mês para cá e não vou mais poder aceitar passes de troco, como sempre fiz, afirma.
O balconista Arlindo Ferreira Carvalho diz que aprova a validade e acha que o uso do vale-transporte foi desvirtuado pelo usuários, mas defende a redução da tarifa. Nós dividiamos o prejuízo com a empresa e o certo agora é todo mundo sair ganhando, diz ele.
Para a comerciária Adriana Rosseto, o que pode prejudicar o usuário é a falta de prazo para a troca dos passes vencidos. Nem todas as empresas fornecem o número exato para um mês, diz. Jacomelli afirma que os passes que estão sendo colocados agora no mercado tem validade para o final de março, o que na realidade dá um prazo de até 90 dias para os usuários. Não queremos nem vamos prejudicar quem depende do transporte coletivo, garante.


