Capitu é uma simpática cachorrinha de 5 anos que, há poucos meses, trocou a liberdade da chácara onde morava em Centenário do Sul pelo apartamento em Londrina, para onde mudou-se com os donos. Acostumada a viver sem limitações arquitetônicas, teve de se adaptar à nova rotina, que inclui a falta de terra, de grama e da vida ao ar livre.
Para manter o bem-estar do animalzinho de estimação, o contador Aloísio Scheller e a esposa, a aposentada Ivone, apostam nos longos passeios. A solução é recomendada por especialistas em comportamento animal.''É da natureza do cachorro viver na natureza. O fato de ser domesticado e viver em um apartamento, por exemplo, não elimina a necessidade que ele tem de correr, marcar território e farejar'', explica o etólogo César Ades, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA).
Segundo Ades, o cão é, por origem, um animal selvagem e precisa ter contato com outros cachorros, novos espaços e estímulos. ''O pet que passa os dias trancado vive num ambiente mais pobre, não tem acesso à riqueza de estímulos que o animal que passeia tem.'' Para o etólogo, mais do que a ciência, é o bom senso que deve ser considerado. ''A caminhada diária proporciona bem-estar.''
Durante a semana Ivone passeia com Capitu duas vezes por dia pelas ruas próximas ao prédio onde vivem, na Área Central. ''Ela vai até onde está a coleira e pede para sair'', contou.
Aos sábados e domingos, o casal costuma levar a cadela para áreas de lazer como o Zerão ou o Lago Igapó 2. Graças ao cuidado, a ''pet'' da família adaptou-se à mudança e inclusive incorporou hábitos que não possuia quando morava na chácara, como tomar banho no pet shop. ''Ela virou uma 'lady''', brincaram.
Castrada, Capitu também precisa se exercitar para evitar a obesidade. O professor Enrico Lippi Ortolani, vice-diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, diz que as atividades ajudam a controlar a ansiedade dos bichos e também o ganho exagerado de peso. ''Obeso, ele tem mais chances de desenvolver diabetes, problemas cardíacos e renais.''(Com Agência Estado)

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