O Passeio Público, parque mais antigo de Curitiba, deve ser tombado hoje como patrimônio histórico do Estado. O tombamento, regido pela lei estadual 1.211 de 1953, acontece em meio a uma tentativa de devolver ao parque a imagem de antigamente, quando era o ponto de encontro dos curitibanos. Agora, ao contrário, o Passeio Público sofre por ser associado à imagem da violência e, principalmente, da prostituição.
Para mudar isso, a prefeitura da capital desenvolve um projeto de revitalização, responsável pela reinauguração do Restaurante do Passeio Público, obras de reforço da iluminação e a instalação de um posto da Polícia Militar.
O comerciante Victor Aronis, um dos sócios do restaurante, acredita que tais medidas não foram suficientes para mudar a imagem negativa ligada ao parque. ‘‘É preciso uma grande campanha publicitária, como no caso do Parque Tanguá. As pessoas esqueceram o Passeio e precisam saber que ele mudou’’, afirmou.
Aronis, no entanto, diz que a revitalização ‘‘não ocorreu ainda’’. ‘‘A única obra de revitalização foi a reinauguração do restaurante’’, disse. Apesar de destacar o aumento da segurança, ele acredita que as obras estariam planejadas para 1999.
O posto policial, que funciona 24 horas, reduziu a zero as ocorrências, segundo o 1º sargento Leônidas Paulino da Silva, mas nem assim a boa imagem retornou. O problema está, segundo o sargento, na permissão de funcionamento dos hotéis de ‘‘alta rotatividade’’, que estão situados ao redor do parque.
Tanto Silva quanto Aronis pregam o fechamento dos hotéis como a única forma de acabar com a prostituição no Passeio. Moradores, como o estudante Valdecir Ferreira, 20 anos, e o vendedor ambulante Zacarias José da Silva, 42 anos, concordam com a medida.
Para o estudante, apesar da obras de revitalização, a prostituição ‘‘continua a mesma’’. ‘‘Este é um ponto que devia ser melhorado. Lembro que quando eu era criança a gente vinha aqui com as turmas de escolas, mas não fica bem crianças em meio as prostitas’’, disse. A decisão sobre o tombamento do Passeio Público deve ser tomada hoje pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, órgão que pertence a Secretaria de Estado da Cultura. Com isso, ele terá maiores mecanismos de preservação.Marcelo AlmeidaPassos lentosO aumento da segurança já pode ser notado no Passeio Público, mas o restante das obras só deve ser entregue no ano que vem.James Alberti

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