Passeio Público recebe saguis para reprodução em cativeiro
Maigue Gueths
De Curitiba
O Passeio Público de Curitiba acaba de receber mais 16 novos saguis, vindos do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CP/RJ). Em Curitiba eles serão colocados em pares para a reprodução em cativeiro. São sete espécies diferentes, raras e em extinção, sendo seis provenientes da região amazônica e uma da Bahia. Ainda não há previsão de quando os novos hóspedes do passeio serão expostos para o público, pois antes terão de passar por uma fase de adaptação. A previsão é de que os primeiros filhotes dessas espécies nasçam só no final do ano 2000.
Com as novas aquisições, o Passeio Público passa a ter 16 tipos de primatas, a maioria da Amazônia, totalizando aproximadamente 60 animais. As novas espécies são o sagui-de-cara-branca, sagui-santarém, sagui-de-coleira, mico-touro, sagui-de-cara-suja, sagui-una e o sagui-wied, este último da Bahia. A espécie de maior risco de extinção, segundo o diretor do Passeio Público, Luiz Roberto Franscisco, é o sagui-de-coleira, muito procurado pelo comércio ilegal.
Segundo Francisco, que também é diretor do Departamento de Zoológico, o CP/RJ existe há 20 anos e tornou-se uma referência mundial em pesquisas e reprodução de primatas. Sua escolha por Curitiba para a transferência das sete espécies se deu porque a cidade também já se tornou referência nacional e internacional em pesquisas e reprodução de animais selvagens. A reprodução em cativeiro segue uma filosofia de se reproduzir boas espécies e depois propagá-las para outros centros. Assim, quando acabar a Amazônia, o que vai acontecer um dia, pelo menos os seus animais estarão preservados, diz.
Francisco diz que não há estimativas de quantas espécies de primatas existem na Amazônia, nem quantas já podem ter sido extintas. O problema, segundo ele, é que a natureza vem sendo devastada, em quase todos os locais, o que dificulta o retorno das espécies em extinção criadas em cativeiro para seus habitats naturais. A reprodução em cativeiro é a melhor alternativa para a preservação da maior parte das espécies, diz, alertando que enquanto não houver um trabalho sério de proteção aos recursos naturais, não adianta soltar os bichos livremente, que eles não irão se reproduzir.





