Passeio pela história e pelos bastidores do Ouro Verde
Peça baseada em crônica publicada na FOLHA levou público a um tour pelo teatro com humor e emoção
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Peça baseada em crônica publicada na FOLHA levou público a um tour pelo teatro com humor e emoção
Pedro Marconi - Grupo Folha 

Em sua reta final, o Filo 50+1 teve na tarde de quinta-feira (29) uma de suas apresentações gratuitas e abertas ao público. A peça “Noturno”, encenada pela Escola Municipal de Teatro de Londrina, teve como base o texto “Uma crônica para o Ouro Verde”, escrita pela cronista da FOLHA e editora do caderno Folha 2 do jornal, Célia Musilli, publicada em 2017. Com um passeio pela história do Teatro Ouro Verde e seus bastidores, o grupo formado por oito atores fez o público rir e se emocionar.
A encenação começou em frente ao teatro, no Calçadão, fazendo um convite aos transeuntes para adentrarem ao emblemático espaço situado no coração da cidade. Nas escadas que servem para levar o grande público ao interior do Ouro Verde, os artistas introduziram aos fatos vividos no dia da inauguração do então cinema, em 24 de dezembro de 1952, fazendo paralelo com o longa da estreia, “Meu coração canta”, estrelado por Susan Hayward. Além disso, relembraram personagens interligados com o progresso do segundo maior município do Estado, como Celso Garcia Cid.

Com muita interação, o grupo instigou a memória e imaginação dos presentes enquanto os conduzia num tour pela arquitetura de Vilanova Artigas. Citou a “era de ouro” do café no Norte paranaense, as roupas da época, fatos curiosos ocorridos e o desafio de competir com a televisão, na década de 1980, o que fez o lugar também se tornar teatro, passando para a propriedade da UEL (Universidade Estadual de Londrina). No mezanino, o público foi “transportado” para o fatídico 12 de fevereiro de 2012, quando o Ouro Verde teve grande parte destruída em chamas, com direito a fumaça de uma máquina, para ativar todos os sentidos.
EXPERIÊNCIA
O processo até a reinauguração também foi lembrado, com uma dose de crítica política, elevando o teatro a um fênix que renasceu nas cinzas para buscar voos maiores no imponente céu da cultura nacional. Integrando o público de cerca de 30 pessoas, Olga e Amanda Leal, mãe e filha, respectivamente, viveram uma tarde de novas experiências. Para Olga foi a primeira vez dentro do Ouro Verde, enquanto que para Amanda foi a estreia assistindo uma peça do Filo.

“Vimos na internet que iria ter esta apresentação e aproveitamos para conhecermos o teatro, o festival e o grupo. Gostamos de toda a estrutura. Foi um verdadeiro passeio que não imaginávamos que teria. Uma oportunidade de conhecer o Ouro Verde por uma outra ótica. Nos surpreendeu”, contam. “Depois do que vi, veio o pensamento do motivo de não ter vindo a este teatro antes”, brincou Olga. As duas definiram como obrigatório a presença em teatro para consumir cultura.
Diretor de “Noturno”, José Silva afirmou que a apresentação foi um desafio para todos os envolvidos. O grupo ensaiou apenas uma vez, no domingo (25), e focado na parte técnica, sem presença de público. “Apenas visualizamos para ter noção de como iria funcionar. Partimos da crônica da Célia Mussili pois ela fala muito da parte de dentro do teatro, da sensação de festa. Não queríamos apenas que as pessoas assistissem a história, mas, contar com elas. Este é um espaço essencial para Londrina e que por pouco não ficamos sem”, destacou.

HONRA E ALEGRIA
Para a jornalista e escritora Célia Musilli, ver seu texto transformado em peça teatral é motivo de alegria e honra. “Para mim foi novo ter uma crônica com este tipo de interpretação. Já tive textos em vídeos, áudios, livros, mas nunca encenada, o que foi super legal. Eles pesquisaram muito sobre a história e vi trechos da crônica na fala dos atores. Foi interessante a forma da apresentação, fazendo as pessoas entrarem no teatro, em sua 'parte íntima”, elencou. “É importante a cidade ter uma escola de teatro, um curso de artes cênicas, na UEL. Eles vêm sendo elogiados por diretores de fora”, valorizou.
Após o público conhecer o camarim, a montagem se encerrou no palco do Teatro Ouro Verde, com as cortinas se abrindo e os atores aplaudindo os presentes como espectadores, e vice-versa. Foi uma maneira de salientar que a arte se faz e fortalece com todos.


