Ibiporã - Os idosos residentes no Lar Padre Leone, de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), tiveram uma tarde de segunda-feira diferente. Eles foram conhecer o Museu do Café da cidade. O que para alguns foi uma oportunidade de passear, para outros foi uma volta ao passado. Conforme ia percorrendo as salas do museu, João Vieira Bueno da Silva, de 78 anos, recordava os tempos em que ajudava o pai na lavoura. "São iguaizinhas as que eu usava para abanar o café", exclamou ao ver as peneiras penduradas no teto.
Silva mora no asilo há quase 10 anos, desde que a mulher morreu. Contou que trabalhou a vida inteira na roça, cultivando café, algodão, milho, arroz e feijão. Aos 17 anos já ajudava o pai, Alfredo Bueno da Silva, a abanar o grão. "Tinha que abanar umas 20 ou 30 sacas de café", recordou, garantindo que não deixava nenhum grão cair no chão. "Se caia era porque o café era chocho." Mas desde os 5 anos já ia para o campo limpar tronco de café. A família morava na região de Água Branca, no município de Jataizinho.
O museu, inaugurado em 2012, está instalado na antiga Estação Ferroviária da cidade. No local estão objetos utilizados na produção do café e fotografias que contam a história da cultura na cidade e da Estação Ferroviária construída em 1936 e desativada na década de 1980. Entre os objetos o que mais chamou a atenção de Silva foi a máquina de abanar cereais. Uma modernidade na década de 1930. "Meu pai não tinha uma destas. Era muito cara. Ela tirou emprego de muito abanador", contou.

Passeio para recordar o passado
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O passeio fez parte da programação da Semana Nacional do Idoso, organizada pelo Lar Padre Leone, que começou no dia 25 e segue até o dia 1º de outubro. Os idosos já visitaram o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Londrina, participaram de um show sertanejo, de um café da tarde e ainda farão uma pescaria. "A ideia é tirar eles da rotina", explicou a irmã Ângela Maria da Rosa. A visita ao museu faz parte do calendário anual de atividades da entidade.
O asilo filantrópico existe desde 1955 e recebe, principalmente, idosos andarilhos, sem família ou carentes. A população residente em sua maioria tem algum tipo de deficiência física e mental. São em torno de 80 idosos morando no local, mas apenas 16 foram ao passeio. "Trouxemos aqueles que têm condições de caminhar", disse irmã Ângela.
O lar fica próximo do museu e os idosos foram caminhando pela linha férrea, o que para eles foi uma diversão. "Viemos caminhando, assim eles fazem uma atividade física e visitar o museu permite que eles também conheçam a história de onde vivem", ressaltou.

RESGATE DA AUTOESTIMA


A visita também é uma volta à história de vida deles. "O bonito é que eles voltam contando as histórias que viram e isso melhora a autoestima." Aurora Kazeta, de 79 anos, se emocionou com o vídeo que assistiu sobre a história da cidade e do café. Ela trabalhou desde pequena no cultivo do grão. "Limpei tronco, rastelei, só não abanei café. A gente gostava de trabalhar na lavoura até porque não tinha outra opção", disse. O vídeo fez Aurora recordar a infância. "Pensei nas coisas que fazia quando era pequena. Deu saudade. A gente lembra de tudo." Ela também gostou do passeio. "É bom para conhecer outras pessoas e outras coisas", declarou.
As irmãs da Congregação Servas da Caridade, que administra o Lar, procuram proporcionar atividades de lazer aos residentes. "As pessoas pensam que asilo é um depósito de idosos, mas procuramos fazer com que eles se sintam em uma família e proporcionar lazer para eles é o que uma família faz. A ideia é dar qualidade de vida", afirmou irmã Ângela.
"As irmãs cuidam muito bem da gente", disse Domingos Casagrande, de 75 anos, ex-funcionário público que mora no asilo há um ano e meio. "Eu era difícil. Bebia até cair, mas as irmãs deram um jeito em mim", contou. Ele ficou viúvo aos 31 anos, nunca mais casou e morou um pouco na casa de cada irmão. Foi para o asilo porque a irmã foi morar em São Paulo. "Ela disse para eu ir para o asilo para não ficar sozinho." Na casa de idosos, Casagrande participa de atividades de terapia ocupacional diariamente.

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