Para comemorar o Dia Internacional do Meio Ambiente, o Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati) organizou, no último sábado, um passeio ecológico em um trecho do rio entre Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e Sertanópolis (40 km a norte de Londrina). Em duas horas de navegação, foi possível pescar algumas histórias sobre uma das principais bacias hidrográficas do Paraná e constatar que, se as iniciativas implementadas pelo consórcio conseguem bons resultados por um lado, por outro ainda é grande a falta de consciência ambiental.
O ponto de partida foi na comunidade de Taquara do Reino, em Ibiporã. Ainda em terra, os perigos de se navegar no Tibagi ficaram claros com a história do ribeirinho Vanderli Gomes. Ele tentava, com a ajuda de parentes, encontrar o corpo do irmão, o pescador Claudinei Gomes, 33 anos, desaparecido em 26 de maio. Segundo ele, Claudinei cresceu brincando no rio e dele tirava o sustento para a esposa e dois filhos pequenos. A embarcação foi encontrada no dia seguinte ao desaparecimento mas nada do irmão. Suas esperanças aumentaram no sábado, já que os motores dos barcos poderiam revolver o fundo do rio e trazer o corpo à tona, o que ocorreu no só final da tarde de domingo.
O Tibagi, cheio em razão do último período de chuvas, percorre um longo trecho até a localidade de Ponte Caída, em Sertanópolis, bastante comprometido pela ação do homem. Plantações e pastagens tomaram o lugar da mata ciliar nas duas margens e os agrotóxicos contaminam, com facilidade, a água. A mata nativa permanece intacta apenas em alguns poucos pontos. Na maior parte do trajeto, áreas de chácaras insistem em chegar até bem perto das margens.
Percorrendo essa parte do Tibagi há 15 anos, o fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Valdomiro Luiz da Silva, comentou que o rio ''não mudou muito neste tempo mas melhorias também foram poucas''. Ele lembrou que, quanto à derrubada da mata ciliar, algumas medidas estão sendo tomadas e a fiscalização é rigorosa. Outro problema que recebe atenção especial é a atuação das dragas de areia, Muitas insistem em descumprir a legislação ambiental. Quanto à pescaria irregular, ele é enfático: ''para aumentar a quantidade de peixe, acho que o rio deveria ficar fechado para pesca por cinco anos''. Só assim, segundo ele, os barbados, mandis, curimbas, corvinas e outras espécies teriam a sobrevivência assegurada.
Já quase no final do passeio, a relações públicas Sônia Barduco se disse maravilhada com sua primeira experiência nas águas do Tibagi. ''Gostaria de poder fazer um passeio desse por mês'', comentou. A colega de barco, Vera Lúcia Crespim, também estava impressionada. ''Só lamento a maneira que os agricultores chegam tão próximo do rio'', concluiu.

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