Os frequentadores do Parque São Lourenço e da ciclovia que o liga ao Bosque do Papa, na região norte de Curitiba, poderiam ter uma bela área de lazer, com um lago de água limpa e um espaço para pedalar com segurança em um asfalto perfeito. Poderiam, mas não têm. E pior: vão passar o verão todo com a situação do jeito que está.
O grande vilão, apontado pelos próprios usuários, é a obra de dragagem do Rio Belém naquele local. Segundo ciclistas que circulam entre o Bosque do Papa e o São Lourenço, vários trechos da pista estão intransitáveis porque foram destruídos pelas máquinas da Prefeitura que limparam o rio. ‘‘Faz mais de um ano que está assim’’, critica o estudante Erick Andrade Veiga, 25 anos, que passa por ali todos os dias, de bicicleta.
Segundo a assessoria da Prefeitura, é a Secretaria Municipal de Obras que executa a recuperação das ciclovias, mas é o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc) que responde por essas pistas. Ainda não está definido nenhum cronograma para recuperação dos trechos deteriorados.
Albari RosaAtrapalho 2A beleza da ciclovia e da paisagem está comprometida em vários pontos entre o S. Lourenço e o João Paulo II‘‘Essa ponte ainda vai cair com alguém em cima’’, diz o estudante Fernando Folloni, 17 anos, referindo-se a uma ponte de madeira perto do São Lourenço, com tábuas podres e soltas. ‘‘E ao entardecer não dá para pedalar sozinho, por causa dos assaltos’’.
Resumindo as queixas, José Américo Reis Vieira, 50 anos, dono de uma bicicletaria às margens da ciclovia, resolveu organizar um abaixo-assinado para pedir providências. ‘‘A Prefeitura deveria incentivar mais o esporte, mas sem estrutura não dá. Esta ciclovia está largada’’, critica. Ele está reunindo assinaturas reivindicando segurança, conservação e sinalização da ciclovia, além da promoção de passeios ciclísticos.
A dragagem do Rio Belém, que tem como objetivo retirar material depositado no leito do rio para evitar enchentes, vem sendo levada a cabo em etapas. O último trabalho, concluído em outubro, retirou 37 mil metros cúbicos de lodo e areia de um trecho de apenas um quilômetro do Belém, na divisa dos bairros Boqueirão e Uberaba. No ano passado, a dragagem de 9,2 quilômetros resultou em 318 mil metros cúbicos de material, entre o Jardim Botânico e o Uberaba. Geladeiras, sofás velhos, lixo, entulho e muita areia são retirados de cada trecho dragado.

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