''É um novo fôlego para vida'', definiu a dona de casa Adriana Xavier, 38 anos, portadora do HIV há 18, sobre o preenchimento facial para corrigir a lipodistrofia. Militante pelos direitos das pessoas com Aids, ela conta que, apesar de aceitar a doença e suas consequências, evitava olhar-se no espelho antes de realizar o preenchimento porque sentia-se envelhecida. ''Passei a gostar do que vejo.''
Com a autoestima elevada, Adriana voltou a pintar o cabelo, comprou novas roupas e dedica-se a curtir os primeiros anos da neta de quem detém a guarda. ''Na época do diagnóstico, achei que não iria criar os meus filhos. Agora estou criando uma neta'', disse ela, que já viu pessoas morreram por abandono do tratamento por medo das consequências dos medicamentos.
Os efeitos da mudança na aparência beneficiaram também os filhos de Adriana, que se entusiasmaram com a redescoberta da beleza da mãe. ''Os olhos deles brilharam ao me ver com uma aparência condizente com o que sou: uma pessoa ativa'', resumiu. Por tantos benefícios, ela defende que os procedimentos estéticos são fundamentais para os portadores do HIV. ''Todos os esforços são válidos. Não tem dinheiro que pague pelo valor da vida.'' (C.A.)

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