Passeata terminou em conflito
O momento atual tem vários pontos em comum com o da manifestação que completou 12 anos ontem, avalia a professora Isolde Andreata, que presidia o sindicato dos professores em 1988. Naquela época tínhamos um acordo assinado com o governador e estávamos tentando negociar, exatamente como hoje, observa.
A manifestação de 1988 começou no final da manhã, com professores de todo o Paraná reunidos na Praça Rui Barbosa. No começo da tarde, cerca de 10 mil pessoas, segundo estimativa de Isolde, iniciaram passeata em direção ao Palácio Iguaçu, passando pela Rua André de Barros, Avenida Marechal Floriano, Catedral e Avenida Cândido de Abreu.
Estávamos sendo escoltados pela Polícia Militar e tudo parecia normal. Quando chegamos em frente à sede da prefeitura notamos que havia algo diferente no ar, pois impediram a passagem do carro de som e haviam policiais com cães e montados em cavalos, conta Isolde. Os professores romperam a barreira policial e foram para a frente do Palácio.
Disseram que invadiríamos o Palácio Iguaçu, mas queríamos apenas acampar na praça. Começamos a armar as barracas e os policiais passaram a rasgar as lonas. Cantamos o Hino Nacional e rezamos o Pai Nosso, mas não adiantou, a polícia começou a jogar bombas e o conflito começou, relata a professora. Foi uma loucura, parecia uma guerra e tive pesadelos durante anos com gente machucada e sangrando, afirma.
Os policiais saíam de trás do Palácio para dispersar a manifestação, não importando os meios utilizados. Foi brutal, diz a professora Élide Bueno.(L.L)





