Marcos NegriniRevoltaAo lado, escolares no local onde Tadeu Delfino Soares foi baleado por PM; acima, manifestação contra a violência policial Cerca de 600 estudantes do Instituto de Educação de Maringá e amigos do menor Tadeu Delfino Soares, 15 anos, fizeram ontem de manhã uma passeata pelo centro da cidade. Os estudantes pararam no local onde Tadeu foi morto com um tiro nas costas, disparado pelo terceiro-sargento da Polícia Militar, Antônio Carlos da Silva, 38 anos, na madrugada de domingo.
Tadeu e outros três adolescentes foram perseguidos por policiais militares após o arrombamento de uma banca de revistas. Os menores levaram vários exemplares com CD’s e vídeos. Os policiais alegam que Tadeu os ameaçou com uma pistola de brinquedo.
Orientados por professores do colégio, os estudantes e amigos de Tadeu rezaram um Pai-Nosso e uma Ave Maria. Em seguida cantaram o Hino Nacional. Um ramalhete de flores e alguns cartazes com críticas à violência da polícia foram deixados no local onde Tadeu foi baleado e caiu morto.
Num percurso de cerca de quatro quilômetros os estudantes permaneceram calados. Eles só gritaram pedindo Justiça quando encontraram um policial militar que organizava o trânsito no cruzamento das avenidas Brasil com a Duque de Caxias. A passeata não foi acompanhada por policiais.
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Os irmãos da vítima participaram da manifestação carregando cartazes e fotos de Tadeu. Os pais não foram. Nos cartazes, os estudantes criticavam a atuação da PM. ‘‘Sr. Prefeito, a polícia suja as ruas com medo, vergonha e sangue de jovens’’, era uma das frases.
O amigo de Tadeu, D., 16 anos, estava com o rosto escondido por máscara. Ele morava perto da casa de Tadeu e disse que estava com a vítima na madrugada de domingo, momentos antes do crime. ‘‘Estava junto no bar até ele sair’’, disse. Segundo D., Tadeu não estava com pistola de brinquedo na noite de domingo. Uma das professoras de Tadeu, Maria Goretti, também participou da passeata. ‘‘Tadeu era um menino arteiro, mas nada demais. Ele nunca bateu em ninguém no colégio’’, disse.
O presidente da Subseção de Maringá da Ordem dos Advogados do Brasil, Lélis Vieira, também acompanhou a passeata. ‘‘A OAB está solidária à família do estudante’’, disse. Segundo Vieira, a OAB vai acompanhar toda investigação do caso para garantir que os inquéritos obedeçam aos trâmites legais e que as vítimas possam prestar os depoimentos sem coação. ‘‘Há indícios que os direitos humanos não foram respeitados e que houve excesso do policial’’, afirmou.
‘‘Está na cara que a história da arma de brinquedo foi plantada pelo policial’’, disse Lélis Vieira. Ainda que o garoto estivesse armado, ponderou Vieira, o caso levanta suspeitas de abuso policial, porque Tadeu foi atingido pelas costas. ‘‘Tudo indica que não houve confronto, porque o policial atirou nas costas do menino’’.
Um dos garotos que conseguiu fugir dos policiais na madrugada de domingo deveria ter prestado depoimento ontem. Mas o depoimento foi transferido porque o delegado especial Emerson Fortunato de Abreu, responsável pelas investigações, estava de folga ontem.

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