Passeata reúne 400 funcionários da UEL
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Maranúbia Barbosa <br> De Londrina 
Cerca de 400 servidores públicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em greve há quatro dias, realizaram ontem de manhã uma passeata de protesto. Eles saíram do campus e foram à Concha Acústica, no centro da cidade, percorrendo cerca de sete quilômetros. Uma outra passeata com cerca de 200 servidores do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) se encontrou com o grupo no local. Estudantes, esposas de policiais militares e professores do Cefet de Cornélio Procópio também participaram. O movimento dos servidores estaduais reivindica reposição salarial de 50,03%, referente aos últimos seis anos.
A chuva fina não desanimou os grevistas. No cruzamento da Rua Goiás com a Avenida JK, menos de 20 professores da rede pública estadual esperavam a passeata do servidores. Dos 1,7 mil docentes da UEL, menos de 10 participaram da marcha de protesto. Os 59 anos não representaram dificuldades para a zeladora Benedita de Oliveira Bruno, que trabalha na UEL há 25 anos e tem salário bruto de R$ 320,00. Com o marido desempregado e doente, ela disse que faz milagre com pouco dinheiro e comentou que será agraciada com ''outro milagre'', se o governo do Estado pagar a reposição.
O sociólogo Nelson Tomazi, um dos poucos docentes da UEL na Concha, afirmou que a baixa adesão da categoria é prova do desmantelamento do sindicalismo. Ele também apontou a falta de consciência política como um dos fatores que distanciam os profissionais da luta por melhorias trabalhistas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativo (ASSUEL), Itamar Nascimento, o acampamento em frente à reitoria vai permanecer montado, até que o governo estadual resolva conceder a reposição. Até agora, segundo o sindicalista, o governo não sinalizou com nenhum tipo de negociação. ''Por enquanto só existe ameaça de descontar os dias parados'', afirmou Nascimento.
A presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde, Ana Maria da Cruz, informou que o Pronto-Socorro do HU continua atendendo somente os casos de urgência. O comando da greve anunciou que na próxima terça-feira haverá uma audiência pública na Câmara de Londrina para discutir a situação dos servidores estaduais.


