Passeata reúne 150 pessoas em Curitiba
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domingo, 01 de junho de 1997
Leandro Donatti, de Curitiba 
Os pais do estudante Rafael Rodrigo Zanella, morto com um tiro na cabeça na noite da última quarta-feira durante uma blitz policial do 12º Distrito de Curitiba, decidiram levar sua indignação para as ruas. Elizabetha e Cesar Zanella reuniram ontem cerca de 150 pessoas, entre parentes, vizinhos e amigos para uma passeata de protesto contra a ação dos policiais Reinaldo Siduaski e Airton Adonski, que teriam se precipitado ao atirar contra os estudantes acusados de tráfico de drogas.
A caminhada, que começou por volta das 11 horas da manhã, saiu de frente da igreja matriz do bairro Santa Felicidade - onde a família Zanella reside há anos - fez uma parada no 12º DP e acabou com a oração do Pai Nosso, perto das 13 horas, num dos trevos do bairro que dá acesso ao centro de Curitiba. O clima era de revolta entre os manifestantes, que carregavam faixas e cartazes criticando a Polícia.
A recepção no 12º Distrito, organizada pelo delegado Maurício Bittencourt Fowler, o responsável pelo inquérito, causou inquietação. Meia dúzia de agentes do Grupo Tigre, armados com fuzis e encapuzados, faziam um cordão de defesa que se estendia para os muros e o telhado da delegacia em Santa Felicidade. Uma coisa desnecessária e absurda. Parece que nós é que temos culpa de toda esta barbaridade, observou a mãe do estudante.
Junto com a família Zanella, também foram ao 12º DP os parentes dos outros rapazes, presos pela Polícia na quarta-feira. Eles querem a anulação do auto de flagrante e a liberação imediata dos três detentos. Fowler garante que vai apresentar os acusados à imprensa ainda nesta semana. Precisamos de calma neste momento. Tudo vai ser apurado e se houver culpa, os policiais serão punidos, assegura.
A missa de sétimo dia da morte de Rafael Zanella será na próxima terça-feira, às 19 horas, na Igreja São Brás, em Santa Felicidade. O advogado da família, Júlio Militão, deve insistir hoje na liberação dos rapazes presos. No último sábado, Militão garantiu que vai pedir a interferência do procurador geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, no caso. Segundo ele, haveria uma promotora desaconselhando a família de Marcos Ostrowski Walduga - um dos detidos - a entrar com um pedido de habeas corpus.
Wilson Gevaerd Júnior, o Camarão, Marcos Valduga e Odair Ferreira da Silva, que estavam no carro com Rafael Zanella estão presos por tráfico de drogas. Nenhum deles têm antecedentes criminais, embora a polícia já investigasse Wilson Gevaerd Júnior já há algum tempo. Segundo a polícia, Gevaerd vendia maconha em Santa Felicidade.


