Médicos, lideranças comunitárias e populares realizaram ontem pela manhã na Concha Acústica, centro de Londrina, um protesto contra o fechamento da maternidade da Santa Casa, anunciada há cerca de um mês pela direção do hospital. A unidade conta com 12 leitos disponíveis ao Sistema Único de Saúde (SUS) e desde novembro do ano passado está com o atendimento suspenso em função das reformas no hospital.
Os manifestantes, que fizeram também uma passeata e se dirigiram até a frente da Santa Casa, salientaram a importância da maternidade e o ''caos'' que poderá acontecer se houver o encerramento do serviço. Segundo o advogado Otávio Paulo Genta, que representa os 26 médicos que trabalham no setor de ginecologia e obstetrícia da Santa Casa, o possível fechamento se deveria a uma ''falta de interesse por parte da administração''. Genta afirmou que, em caso de efetivação da medida, restará apenas três leitos ao SUS. Todo o atendimento será transferido para o Hospital Universitário (HU) e para a Maternidade Municipal.
A proposta da Santa Casa é transferir para o Hospital Infantil os casos de gestação de alto risco. Conforme Genta, o superintendente da Santa Casa, Fahd Hadad, teria recuado e declarado há poucos dias que o anúncio do fechamento foi um equívoco e a maternidade poderá não encerrar o atendimento. ''Espero que ele venha a público e esclareça a declaração'', afirmou o advogado dos médicos.
O médico Elias Antônio Campanelli, disse que existe interesse em substituir a maternidade por setores que priorizem convênios e atendimentos particulares. A construção de UTIs pediátricas no Hospital Infantil, para ele não resolve o problema. ''Até lá, onde vamos colocar as gestantes?''
Para Giselda de Lima, do Conselho Local de Saúde, do Conjunto Aquiles Stenguel (zona norte), a verdadeira razão do fechamento da maternidade é a instalação de centros para cirurgia cardíaca, neurologia e ortopedia.
A direção da Santa Casa foi procurada pela Folha mas a assessoria informou que o superintendente Fahd Hadad está viajando.

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