Cerca de 100 estudantes de uma escola de profissões, de Cambé, fizeram uma caminhada pela paz na manhã de ontem, percorrendo o centro da cidade. Comerciantes baixaram as portas por alguns minutos em solidariedade à manifestação. Segundo Rosane Oliveira, uma das organizadoras do evento, a expectativa era de reunir um número quatro vezes maior de participantes.
''Muitas pessoas ainda não têm consciência de que podem fazer algo para mudar essa situação da violência. Reclamam dos governantes mas não vão às ruas mostrar sua indignação'', critica. Para Rosane, a cultura de paz está ligada a pequenas atitudes como chamar a atenção de quem briga na frente dos filhos. ''Dias atrás, um casal começou a discutir em frente a minha casa e deixou de lado os dois filhos pequenos. Saí na rua para interferir na briga e pedir para não fazer aquilo na frente das crianças. Acho que fiz a minha parte''.
O empresário Júlio César Ferreira também critica a postura da sociedade com relação à violência. Ele diz que a paz deve surgir de dentro das famílias, com exemplos de boas ações vindos dos pais. ''Pai que bate, mãe que grita com os filhos. É aí que começa a violência. A sociedade também aceita tudo, e só com atitudes as coisas vão mudar''.
Os irmãos Kelly, Júlio e Jaqueline Ferreira, que tem entre oito e dez anos, também participaram da passeata pela paz. Eles são unânimes em dizer que o respeito às pessoas é o caminho para um mundo com menos violência, e que esta lição deve ser aprendida dentro de casa. ''Tem pai que deixa a criança fazer o que quer. Aí, quando ela fica mais velha, não tem limites e cai violência'', ensina a pequena Jaqueline.

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