''Seu filho foi morto por bêbado no trânsito? O meu foi!!!'' Com este desabafo, a dona de casa Jackeline Mayra Rosa Lourenço pretende transformar sua grande dor em ações capazes de mudar a realidade. No dia 2 de agosto ela vai encabeçar uma passeata até o Fórum e Câmara de Vereadores de Londrina para chamar a atenção para o atual Código Penal que, para ela, é brando demais com quem se embriaga e causa acidentes no trânsito. O evento também vai convocar a comunidade a acessar o blog ''naofoiacidente.org'' e aderir ao manifesto que pede a alteração destas leis. O objetivo é conseguir 1,2 milhão de votos.
O movimento, que já conta com o apoio de vários artistas e apresentadores de TV, defende que estes motoristas sejam obrigados a fazer o teste do bafômetro e, em caso de morte, sejam indiciados por homicídio doloso (quando é considerado que houve intenção de matar) e não apenas por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). ''A impunidade hoje é muito grande'', denuncia Jackeline, que perdeu seu filho Renan Rosa Lourenço no dia 27 de fevereiro de 2011, então com 19 anos, vítima de uma colisão frontal em uma rua do Jardim do Sol (Zona Oeste).
Segundo ela, o outro motorista assumiu ter bebido antes de pegar o carro. Ele estaria trafegando atrás de um caminhão quando resolveu ultrapassá-lo, atingindo em cheio o jovem que vinha na direção contrária, em uma moto Honda Titan 150 retirada da concessionária 90 dias antes, totalmente financiada. ''Meu filho ficou completamente destruído, parecia um boneco de pano'', conta a dona de casa. Renan teve morte instantânea.
A revolta de Jackeline é que o acusado pagou fiança e foi liberado horas depois do acidente. ''Ele continuou dirigindo, levando uma vida normal. Nunca me procurou nem para perguntar se eu estava precisando de um copo d'água. E no entanto minha vida virou de cabeça para baixo. Meu pai enfartou assim que soube da morte do Renan. Minha mãe, que já tinha problemas de saúde, entrou em depressão'', relata.
Uma investigação foi aberta pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), com o objetivo de apurar a responsabilidade do motorista. ''Trata-se de um crime de trânsito com características de dolo eventual, que é aquele em que o autor assume o risco de produzir um ato criminoso'', informa o advogado do caso, Dinarte Bitencourt. O processo corre na 5 Vara Criminal e a primeira audiência está marcada para o dia 3 de agosto. Jackeline diz que quer poder olhar para o motorista e perguntar se a morte do seu filho o fez uma pessoa melhor. ''E quem sabe ouvir um pedido de desculpas'', completa.
Na tarde de ontem Gilmar Yared, um dos fundadores do Instituto Paz no Trânsito (Iptran), de Curitiba, demonstrou interesse em participar da passeata que será realizada em Londrina na semana que vem. ''Nós, familiares que perdemos nossos filhos pela irresponsabilidade de motoristas alcoolizados, precisamos unir nossas forças'', argumentou. Gilmar é pai de Rafael Yared, uma das vítimas fatais de acidente ocorrido em maio de 2009, envolvendo o ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho.
Serviço - A passeata pedindo leis mais rígidas para aqueles que dirigem embriagados será no dia 2 de agosto, às 14 horas, saindo da loja do Supermufatto na Duque de Caxias e terminando no Centro Cívico. As camisetas do movimento podem ser encomendadas com Márcio, pelos fones (43) 3342-5735 e 9176-8080, ao custo de R$ 10,00.

mockup