Florestópolis Sob céu nublado, a comunidade de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) realizou ontem pela manhã uma passeata para lembrar um ano do desaparecimento da menina Luana Oliveira Lopes. Em 16 de novembro de 2003, a garota, então com oito anos, foi sequestrada numa estrada entre a cidade e o município vizinho de Prado Ferreira. Um ano depois, ainda não há suspeitos do crime nem pistas sobre o paradeiro de Luana.
Centenas de moradores se reuniram em frente ao Colégio Estadual Rafaela Jorge de Oliveira, na principal avenida de Florestópolis, a 14 de Novembro. Acompanhada por viaturas das polícias Militar e Civil, a multidão, composta em sua maioria por crianças e adolescentes, subiu até a Igreja Matriz, onde foi realizada uma missa. Alguns estudantes carregavam cartazes com mensagens sobre a necessidade da justiça e do respeito à juventude.
''O objetivo da passeata é não deixar o caso da Luana cair no esquecimento'', comentou a conselheira tutelar Maria do Carmo Aguiar Casagrande, conhecida em Florestópolis como Carmem. ''A sociedade procura se mobilizar para que as autoridades competentes encontrem a Luana. Acompanhamos o drama da família a ponto de passarmos a sentir a mesma dor'', completou Mauricio Bento, também conselheiro tutelar.
Os pais de Luana, Neide Ribeiro de Oliveira Lopes e Sérgio Lopes, acompanharam a passeata. ''Nós temos que ter esperança. O Conselho Tutelar está nos ajudando, os investigadores que vêm de Curitiba também. Um dia ou outro tem que dar alguma coisa'', disse Lopes. Lavrador, ele mora num sítio em Florestópolis com a esposa e outros três filhos. Ontem, Lopes lembrou do desespero dos primeiros meses após o desaparecimento de Luana.
''O meu patrão me deu folga. De ônibus, fiquei um dia rodando toda a região, fui até Mandaguaçu (16 km a Noroeste de Maringá), porque disseram que o sequestrador talvez estivesse lá. Mas não consegui nada'', relatou ele. Mesmo com a passagem do tempo, a dor não diminui. Neide apontou que as manifestações de solidariedade são leves atenuantes.
''Recebemos visitas de muita gente depois que o caso foi divulgado. E também algumas doações de roupas e alimentos'', comentou ela. Na passeata, foi possível verificar como o sequestro de Luana traumatizou a comunidade. ''Foi um choque, a cidade parou. Na época, muitos pais preferiram não mandar os filhos para a escola por alguns dias. Um crime como esse deixa todo mundo preocupado. Eu tenho uma filha de nove anos'', afirmou a enfermeira Neusa Passoni.
As investigações sobre o desaparecimento de Luana estão sendo feitas pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), e até agora foram infrutíferas. No dia da ocorrência, o irmão da menina, Diego, hoje com 11 anos, também foi capturado, mas fugiu e foi deixado pelo sequestrador, que, ao tentar estrangular o garoto, achou que o tinha matado.
Diego descreveu que ele e Luana foram levados pelo motorista de um caminhão de pequeno porte azul escuro com baú branco e frente achatada. O garoto fez um retrato falado do sequestrador e chegou a ser submetido a hipnose para tentar se lembrar de mais detalhes do crime.

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