Com cerca de 2 mil pessoas, carregando faixas e cartazes, a passeata saiu da praça central de Ibiporã às 8h30 e seguiu até o posto rodoviário da cidade, a aproximadamente 2 quilômetros dali. Entre orações, leitura de trechos bíblicos e cânticos religiosos, os manifestantes clamavam justiça na morte do vendedor e pastor licenciado José Idalécio Bueno. Além de amigos e parentes, a passeata foi engrossada por integrantes da Igreja do Evangélio Quadrangular, à qual pertencia o pastor.
O manifesto começou com um culto ecumênico realizado por um pastor da igreja Metodista e um padre da igreja católica. No caminhão de som, Mara, viúva de Bueno, agradeceu a ‘‘colaboração e a força’’ que recebia. ‘‘Peço que não me deixem num momento tão doloroso. Não estou condenando nem um culpado. A Justiça vai condenar e Deus vai fazer justiça’’, disse. ‘‘Como dói perder alguém inocente e eu conto com a ajuda de todos.’’
Mara seguiu a passeata carregando uma rosa vermelha. Ao seu lado, uma moça levava a bandeira da Igreja do Evangelho Quadrangular e um rapaz levava a cruz, que foi fincada no canteiro em frente ao posto rodoviário. Na cruz, além do nome do pastor e da data da morte, uma frase bíblica. O filho mais novo, Rafael, 10 anos, seguiu no caminhão de som. O filho Ricardo, 19, foi entre o povo. Rodrigo, 13 anos, o filho que presenciou o espancamento do pai, está internado em uma clínica psiquiátrica no interior de São Paulo.
A passeata foi comandada pelo pastor da Igreja Metodista, José Viana, que pedia calma aos participantes. No final do trajeto, já em frente ao posto rodoviário, o pastor Viana pediu várias vezes para que as pessoas mantivessem o clima pacífico do manifesto.
Depois de voltar para o caminhão de som e acompanhar um hino pela vida, abraçada aos dois filhos, Mara ainda conseguiu forças para fincar a cruz - entre lágrimas e gritos. O desespero veio logo depois e Mara, apoiada no filho Ricardo, não suportou, debruçando sobre a cruz aos prantos. Ricardo não continha a revolta. ‘‘Se não tiver Justiça vou fazer com as minhas mãos.’’

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