Um dos direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso, que começou a vigorar no dia 1º de janeiro, já beneficia há algum tempo os moradores de Londrina com mais de 65 anos. O passe livre para o transporte coletivo tem garantido o direito de ir e vir de milhares de idosos que andam de ônibus na cidade.
Segundo a assessoria de imprensa da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), são beneficiados cerca de 15 mil idosos durantes os dias úteis, 12 mil aos sábados e 5 mil aos domingos. ''O estatuto só vem ratificar um direito que já era assegurado para os idosos de Londrina'', informou a assessoria da empresa.
Para ter direito ao benefício, o idoso precisa apenas apresentar a carteira de identidade para comprovar que tem 65 anos ou mais. A assessoria da TCGL informou que a empresa não contabiliza o custo direto do benefício porque os usuários idosos não passam pela catraca, nem do Terminal Urbano de Transporte Coletivo, nem dos ônibus.
As outras duas empresas que operam o transporte coletivo em Londrina, a TIL e a Francovig também já garantem o direito ao passe livre para os idosos com mais de 65 anos.
A assessoria de imprensa da Francovig destaca que o passe livre para idosos é cumprido pela empresa desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, onde esse direito já foi garantido. A empresa não tem números dos beneficiados. Para esse levantamento, estão realizando uma pesquisa onde incluem, além dos idosos, outros beneficiados como os portadores de necessidades especiais e ainda os usuários do passe escolar.
O coordenador da diretoria de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Marco Antônio Bacarin, lembra que há uma lei municipal reforçando essa garantia. Ela foi criada logo após a Constituição entrar em vigor. O objetivo do município, informa, era de regulamentar o passe livre para entidades assitenciais e portadores de necessidades especiais e que incluiu também as pessoas com mais de 65 anos.
Para o lavrador aposentado Eduardo Sartori, 79 anos, o passe livre é a garantia para poder sair de casa sem apertar o orçamento. ''Uso o ônibus umas três vezes por semana. Se tivesse de pagar seria complicado'', disse. Ele elogiou o tratamento que os idosos recebem nos ônibus em Londrina. ''Os motoristas sempre esperam a gente subir com calma. E os que já me conhecem nem pedem mais a identidade'', comentou.
''Com a mixaria que recebo como pensão não daria para sobreviver se tivesse de pagar a passagem de ônibus'', afirmou a aposentada Mercedes Vieira Tuti Ávila, 81 anos. Ela disse que utiliza o transporte coletivo em média três vezes por semana em Londrina para visitar filhos, netos e amigos. ''Mas esse direito não é só na cidade, também utilizo passe livre para ir para São Paulo e Curitiba passear. Bem que podia ter também para os Estado Unidos, que tenho vontade de conhecer'', disse.
O aposentado Antonio Berrigui, 69 anos, lembrou que a gratuidade da passagem de ônibus é o que lhe garante a possibilidade de sair mais de casa. ''A gente tem mais liberadade para passear. Tem dias que uso o ônibus quatro vezes em um dia. Se tivesse de pagar já não teria condições de sair tanto de casa'', comentou. ''Essa foi a melhor coisa que inventaram para os idosos que não têm carro, que são os de baixa renda'', afirmou. (Colaborou Célia Guerra)

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