Warren NabucoEsperançaValdomira de Souza: falta de passe e ‘rombo’ no orçamento
O ‘Passe livre’ levou pouca gente ontem ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina. Até ao meio-dia, cerca de 40 pessoas procuraram o setor de atendimento da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), no Terminal para se cadastrar junto à prefeitura e passar a receber gratuitamente passes de ônibus. Ontem foi o primeiro dia do cadastramento. A ‘Lei do Passe Livre’ foi sancionada anteontem pelo prefeito Antonio Belinati e vai beneficiar pessoas carentes da Cidade.
A chefe do Departamento Técnico da Secretaria de Ação Social do município, Sandra Bianconi, explica que podem se cadastrar aposentados por invalidez; renais crônicos que fazem tratamento médico, no mínimo, três vezes por semana; e crianças e adolescentes matriculados em escolas de ensino profissionalizante e em entidades de atendimento em situação especial cadastradas no Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente.
Exceto os aposentados por invalidez, todas as outras categorias terão que apresentar comprovante de renda familiar per capita de até um salário mínimo para conseguir o benefício.
O cadastramento começou ontem e, a partir de agora, uma equipe da Secretaria de Ação Social vai estar trabalhando permanentemente na Comurb para orientar os interessados e receber a documentação. Sandra Bianconi explica que as pessoas que não tiverem como comprovar a renda, receberão o acompanhamento de um assistente social da prefeitura - será feita uma entrevista e também visita à casa da família que está requerendo o benefício. Um médico da Autarquia Municipal de Saúde também vai integrar a equipe para realizar os exames médicos necessários na comprovação da deficiência física ou invalidez.
A assistente social Cássia Lorena Húngara, que está trabalhando no setor de atendimento da Comurb, no Terminal, diz que mesmo as pessoas que já recebiam o passe, deverão se dirigir ao Terminal para o recadastramento. Os aposentados por invalidez não precisam se recadastrar. Mas ela lembra que eles vão receber, em breve, uma nova carteira de passe. Segundo ela, as escolas que atendem menores carentes vão fazer o encaminhamento dos documentos de seus alunos.
Cássia Lorena Húngara não sabe quando os passes serão liberados pela Comurb. Ela diz que amanhã haverá uma reunião na prefeitura para que técnicos da Ação Social e da Companhia Municipal de Urbanização estudem, entre outros detalhes, a quantia que será enviada para cada beneficiado.
Uma das pessoas que procuraram o setor de atendimento do Terminal, ontem, em busca de informação sobre o Passe Livre foi Valdomira Nunes de Souza, 55 anos, que é aposentada por invalidez há quatro anos. Ela já recebia passes da prefeitura até o ano passado, quando o repasse foi interrompido, à espera de uma lei específica. A lei anterior foi considerada muito abrangente, contemplando a distribuição de cerca de 90 mil passes mensais, e suspensa por força de uma liminar concedida a pedido da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina.
Valdomira mora no jardim Leonor (zona oeste) e precisa ir ao centro da cidade três vezes por semana para fazer fisioterapia. Como recebe um salário mínimo de aposentadoria, o dinheiro gasto com o ônibus para o tratamento (R$ 14,40 mensais) faz falta no orçamento doméstico. ‘‘Sem o passe está difícil continuar o tratamento.’’

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