Passatempo de ‘boy’ gera demissão
Em outubro de 1997, a demissão de um office-boy em Londrina chamou a atenção porque ele teria sido mandado embora por ter jogado truco na fila de um banco enquanto esperava ser atendido. Luis Fernando Vercelhese, na época com 14 anos, conta que ficou bastante desanimado e se sentiu injustiçado. Ele continua desempregado.
A mãe do office-boy, a professora Maria Neusa Stefani Vercelhese, relata que o filho trabalhava em uma empresa há sete meses. ‘‘Era seu primeiro emprego’’, conta. Ela lembra que o filho foi a um banco e, vendo seus colegas jogando truco, se juntou a eles. ‘‘Eu joguei, mas não deixei de fazer a minha obrigação. E quando chegou a minha vez de ser atendido, eu fiz o que tinha que fazer e voltei para a empresa’’, lembra Luis Fernando.
Segundo a professora, o gerente do banco se irritou com a situação e teria ligado ao proprietário da empresa exigindo a demissão do boy. Esta versão, segundo ela, foi confirmada por um funcionário da empresa, que teria dito que o gerente do banco é útil para a empresa. ‘‘Eu sempre ensinei aos meus filhos a trabalharem e a serem responsáveis e honestos. Mas esqueci de ensinar o lado ruim das pessoas’’, dispara.
Neusa Vercelhese conta que o filho se dedicava muito ao emprego por ser o primeiro. ‘‘Ele não aceitou a demissão, ficou muito chateado e até parou de estudar’’, observa. Ela acredita que a idade do filho contribuiu para agravar o problema. ‘‘O Luis Fernando estava no início da adolescência, que é uma fase complicada.’’
Quieto, Luis Fernando diz apenas que pretende voltar a estudar e a trabalhar. ‘‘Agora é partir para outra’’, resume. Mas a mãe dele confidencia que ele já teve outras oportunidades de emprego e acabou não indo atrás. ‘‘Acho que ele levou um baque tão grande que ainda não se recuperou’’, acredita.
Na época, o caso chamou a atenção porque coincidiu com as manifestações que o Sindicato dos Bancários vinha realizando para denunciar a demissão de funcionários, a demora no atendimento e as extensas filas. Estes problemas teriam sido provocados, segundo a entidade, com a redução de uma hora no atendimento ao público. O novo horário bancário (das 11 às 16 horas) entrou em vigor no dia 5 de maio daquele ano.
(L.O.)

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