Lúcio Horta
De Londrina
O estudante Diego Bueno, de 13 anos de idade, morreu na noite de domingo ao ser atropelado na Avenida Brasília (BR-369), em frente ao Posto Alvorada, cruzamento com a Rua Suindará, na Vila Yara, zona leste de Londrina. O acidente ocorreu por volta das 21h45 e o motorista do veículo – um Passat de cor amarela – fugiu do local sem prestar socorro. Com o impacto, o garoto foi lançado por 20,70 metros. Atendido ainda com vida pelo Siate, acabou não resistindo aos ferimentos e morreu a caminho do Hospital Evangélico.
Segundo o irmão da vítima, Thiago Yuri Bueno, 14 anos, Diego estava atravessando a pista, no sentido bairro-centro, quando foi atingido pelo veículo. Ele conta que o Passat – ‘‘rebaixado’’ e com insulfilme no pára-brisa – estava ‘‘tirando racha’’ com um Voyage de cor bege. ‘‘Não deu para ver se o sinal estava fechado ou não. Mas ele (motorista) estava correndo mais ou menos a 100 km/h e nem freou depois da batida’’, afirma. Ainda segundo Thiago, o motorista de um Monza, que seguia logo atrás, chegou a tentar perseguir o Passat para anotar a placa, mas não conseguiu.
Com a notícia da morte do garoto, parentes e vizinhos da vítima, revoltados com a falta de segurança no local, fizeram um protesto e chegaram a fechar a pista nos dois sentidos. Pneus de carro de uma empresa de recapagem foram queimados; uma árvore foi arrancada pela raiz; um distribuidor geral da Sercomtel, instalado num poste, também foi danificado; e os três conjuntos de semáforos instalados na esquina da Suindará tiveram todas as luzes quebradas.
A confusão, segundo Evanilda Simões, vizinha de Diego, começou por volta das meia-noite e só acabou depois das 2 horas de ontem, com a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar. ‘‘Não é a primeira vez que acontece esse tipo de acidente. Aqui é direto, várias mães perderam seus filhos. A gente já pediu melhorias, através da associação de moradores, mas nunca foi atendida’’, reclama.
A moradora diz que ‘‘todo mundo’’ que esteve na manifestação ajudou a quebrar os semáforos. ‘‘A gente só fez isso para chamar a atenção, para ver se alguém acorda. Não foi vandalismo. E se for para acusar de vandalismo, vai ter que acusar a vila inteira’’, completou. Ela informou ainda que, por ‘‘sugestão’’ dos policiais que estiveram na manifestação, os moradores resolveram fazer outra, que seria realizada no final da tarde de ontem. ‘‘Recomendaram que a gente fizesse no horário de pico.’’
O sargento Osmar Carolino, do Batalhão de Choque, negou que tivesse partido qualquer recomendação por parte dos policiais militares. ‘‘Não podemos orientar o pessoal dessa forma. Até porque isso iria trazer transtornos para nós também’’, garantiu.
Segundo ele, havia no protesto cerca de duas mil pessoas. Para conter os manifestantes, a PM deslocou para o local seis viaturas, com total de 30 policiais, além de uma equipe do Corpo de Bombeiros. ‘‘Não tivemos que usar a força. Só a nossa presença inibiu o pessoal’’, afirmou. Ele acrescentou que a demora para liberar a pista – cerca de duas horas – ocorreu por causa do fogo e também para que fossem retirados todos os objetos jogados na rodovia.
O tenente Walter João Marques Luiz, comandante interino da Companhia de Trânsito, informou que no local do acidente foram encontradas uma lanterna e parte da grade frontal de um veículo da marca Volkswagem, o que pode ajudar na identificação. ‘‘Pela distância que o rapaz foi lançado, a velocidade era realmente excessiva. Devia estar correndo muito’’, estimou. O delegado Roberto Hummig, da Delegacia de Trânsito, informou que ainda hoje irá instaurar inquérito para apurar a morte do garoto. O motorista do Passat pode ser indiciado, se for constatada a participação dele num racha, em homicídio doloso simples, que prevê penas de seis a 20 anos de detenção.Veículo estaria disputando racha na BR-369. Moradores próximos ao local do acidente protestaram até a madrugada
Mário CesarMário CesarReproduçãoO DIA SEGUINTEPlaca de trânsito e até uma árvore foram arrancadas durante o protesto, que reuniu cerca de duas mil pessoas, segundo a PM. Abaixo (esquerda), velório do estudante Diego Bueno (direita)

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