Um ninho de tiriva impediu ontem que a Prefeitura de Curitiba cortasse uma árvore de 96 anos de idade, na região central da cidade. Por conta da forte inclinação do tronco, escorado por estacas, a álamo quase centenário ameaça desabar sobre a via pública, na esquina das ruas Silva Jardim e Conselheiro Laurindo, no bairro Rebouças.
A remoção completa do álamo (Populus Nigra) de quase 30 metros de altura estava marcada para ontem às 9 horas, mas a presença do ninho no interior do tronco fez com que os técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, depois de três horas de trabalho, retirassem apenas os galhos maiores elimando, pelo menos por enquanto, o risco de queda.
O trabalho deve recomeçar hoje com a presença de um especialista em aves. Ele vai vai examinar o ninho, verificar se há ovos ou filhotes e avaliar o tempo que as aves necessitam para deixar a árvore.
O corte do álamo foi autorizado após a publicação de um laudo técnico assinado por engenheiros florestais da prefeitura e professores do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A inclinação da árvore começou há cerca de dois anos e vinha sendo acompanhada por uma comissão técnica formada por engenheiros florestrais e agronômos da prefeitura e da UFPR. No final do ano passado, o grau de inclinação aumentou e a comissão definiu que a poda e o escoramento eram necessários. De acordo com os técnicos, a poda não comprometeu a estrutura da árvore, mas não foi suficiente para interromper a inclinação, tornando necessário o corte. Sem sucesso, a prefeitura chegou a usar estacas na tentativa de conter o processo.
No início do ano, cerca de 400 galhos da árvore foram encaminhados para o Horto Municipal, onde os técnicos geraram novas mudas pelo processo de estaquia (multiplicação de vegetais no qual se utilizam segmentos de caule e raízes). Nos próximos meses, as mudas vão ser replantadas em áreas públicas da cidade.
A remoção comoveu quem conhece o álamo há bastante tempo. A professora aposentada Severa Durabiallo, 66 anos, que passava pelo local no momento do corte, levou para casa alguns pedaças da árvore histórica. Ela diz que essa será uma recordação e que vai, como uma raiz de café que coleciona há muitos anos, enfeitar a residência. ''Faz 30 anos que namoro essa árvore. Gosto de todo tipo de planta, tudo que posso planto aqui em casa. Mas esse álamo era especial'', comenta.

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