Passarelas são pouco utilizadas
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sábado, 21 de julho de 2001
Silvana Leão De Londrina 
As duas passarelas construídas para facilitar a travessia de pedestres em rodovias de Londrina não caíram no gosto popular. A maioria das pessoas ainda prefere se arriscar entre automóveis em alta velocidade a caminhar um pouco mais e usufruir da segurança das construções. Tanto na BR-369 como na PR-445, as duas rodovias que ganharam passarelas no ano passado, a todo momento é possível ver pedestres ignorando estas benfeitorias.
Diariamente, a poucos metros da passarela, a copeira Leonilda Curselli, de 54 anos, desce do ônibus à beira da BR-369 e atravessa sem medo as duas pistas. Questionada sobre o motivo de não utilizar a estrutura erguida para a travessia, ela argumenta que o percurso ficaria longo demais. Eu trabalho aqui perto há 12 anos e nunca usei essa passarela. Ficou alta demais, são muitas volta e a gente se cansa muito, diz Leonilda. A copeira admite que a construção é bastante usada por crianças, mas não resolve o problema das pessoas idosas, que não aguentam subir tantas rampas.
O aposentado Adão Maria de Oliveira, de 67 anos, morador da Vila Iara (zona leste) concorda com Leonilda. Parece que não, mas é muita subida. É mais fácil para mim arriscar a vida atravessando a pista, diz Oliveira, que atravessa a rodovia de cinco a seis vezes por dia.
Outro aposentado, Álvaro Lopes, 63 anos, reconhece a importância da passarela e procura usá-la, mas revela que nos dias em que não está muito bem de saúde é praticamente impossível vencer as rampas. Falta fôlego, afirma. O comerciante José Batalha de Lima, dono do bar mais próximo à passarela, diz que muita gente reclama também da falta de segurança, principalmente à noite. Ele mesmo nunca a utilizou após fechar o estabelecimento, à noite.
Segundo dados da Companhia de Trânsito, no ano passado aconteceram nove acidentes (pelo menos um com vítima fatal) no local onde foi inaugurada a passarela, no mês de outubro. Este ano foram registrados quatro acidentes até agora.
Na passarela da PR-445, construída pelo município há menos de um ano, a situação parece ser ainda pior. Moradores e comerciantes da região enumeram vários problemas na construção, como a instalação em local errado, longe do ponto de travessia das crianças; a falta de limpeza e a pouca visibilidade de quem caminha pelas rampas, facilitando os assaltos e uso de drogas no local.
As adolescentes Aparecida Cristina Rodrigues Finoti, de 14 anos, e Bruna Calistro Rodrigues, de 15 anos, respectivamente moradoras dos jardins Atlanta e Tarobá (zona sul), são exemplos de moradoras da região que preferem fazer a travessia pela rodovia, abrindo mão da passarela. Tem muito maloqueiro que se esconde ali. Além do perigo, tem muita sujeira, afirmam.
O secretário de Obras do município, Luis Carlos Bracarense, diz que ordenou a limpeza da passarela, dias atrás. Só não sei se já foi feita. Ontem a reportagem da Folha esteve no local e constatou que o lixo não foi retirado da passarela.


