Londrina - Uma passarela para pedestres, que sobrepõe a Rodovia Carlos João Strass (zona norte de Londrina), está com um deslocamento de 33 centímetros em relação ao eixo original. A diferença é visível em dois pilares de sustentação, um no centro e outro junto à rampa de acesso da Rua Otávio Clivati (conhecida como Avenida das Torres). O deslocamento é resultado de colisões de veículos com altura da permitida. As colisões fizeram com que a parte metálica entortasse e a própria placa que alerta sobre a altura máxima ficou deformada.
A secretária Cristiane Matsuda contou que presenciou um dos acidentes em janeiro. "Era um caminhão que transportava uma máquina e atingiu a passarela em cheio. Essa colisão fez com que vários pedaços da máquina caíssem na pista", afirmou. Ela contou que sempre fica observando quando seus filhos vão para a escola, para saber se eles vão chegar bem.
Além do deslocamento, o piso da passarela sofreu as consequências. Há três rachaduras no piso e em uma delas a fenda apresenta 1 cm de largura, pela qual é possível ver os carros passando sob a passarela. Em outro ponto da rachadura há um deslocamento do nível da passarela de 2 cm.
Moradores da região estão receosos de cruzar a passarela. A estudante Gabriele Fonseca e sua mãe Marina temem que algo grave aconteça. "Prefiro atravessar por baixo; e se a passarela cai?", questionou a estudante.
O mototaxista Sidinei Afonso Cunha disse temer que aconteça uma tragédia. "Se cair na cabeça de alguém é fatal. Pode acontecer o mesmo acidente que aconteceu no Rio de Janeiro, em que um caminhão com a caçamba levantada bateu na passarela e ela caiu", afirmou.
Para o caminhoneiro José Gonzaga da Silva, a altura da passarela é muito baixa. "A passarela tem 4,7 metros, quando o normal é ter 5,5 metros. Não precisa nem passar um caminhão com caçamba levantada. Caminhões mais modernos, com cabines mais altas correm o risco de bater ali."

Travesseiro
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) colocou várias placas alertando sobre a altura máxima no local. Segundo o superintendente regional do DER, José Ferreira Heidgger, o choque do caminhão provocou danos no "travesseiro" da passarela (placa de concreto), mas não causou nenhum dano estrutural. Ele afirmou que não há perigo dela cair, mas constatou que a altura da passarela é de 4,7 metros, 0,8 metro mais baixa do que estabelece a norma das diretrizes básicas para elaboração de estudos e projetos rodoviários do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), publicada em 1999. A passarela foi inaugurada em 2006.
Heidgger afirmou desconhecer os motivos de a passarela ser construída com 4,7 metros. "Todas as passarelas que construí foi com o gabarito de 5,5 metros. Eu não estava aqui antes disso", justificou. Ele destacou que está elaborando um orçamento para construir uma passarela ou reformar a que já existe. Esse trabalho, segundo ele, demora pelo menos 30 dias. "O processo licitatório demoraria mais 60 dias e depois a execução levaria pelo menos 120 dias para ser realizada", calculou. (V.O.)

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