É bom o estado de saúde dos dois rapazes que foram soterrados por pedras quando cavavam um poço artesiano na última quinta-feira, numa obra localizada no Parque Industrial em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Edilson Vitor, 22 anos, e José Carlos Fermino, 24 anos, estão internados no Hospital Regional João de Freitas. O primeiro está em observação e o segundo está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recupera bem dos ferimentos. O resgate das vítimas demorou quase dez horas. O Corpo de Bombeiros deverá comunicar o acidente à Delegacia do Ministério do Trabalho de Apucarana, já que os rapazes não usavam equipamentos individuais de proteção.
Vitor contou à Folha que essa era a primeira vez que ele trabalhava junto com o colega de infância em uma perfuração. O pai de José Carlos, Carmelo Sebastião Fermino, é quem tinha sido contratado pelo proprietário do terreno e eles estavam trabalhando no local há cerca de uma semana. Por volta de 13h30, quando concluiam o trabalho de escavação, a 23 metros da superfície, houve o desmoronamento. ''Tinha só uma pedra no canto. Quando o José Carlos segurou no ponteiro para começar a martelar uma pedra caiu. Ele bateu duas vezes e as outras pedras caíram na gente'', relatou. ''Foi um sofrimento ver aquele monte de pedra caindo e não poder fazer nada. Nem acreditei a hora que os Bombeiros conseguiram me puxar para cima'', lembrou. Vitor foi resgatado por volta das 19 horas e José Carlos só conseguiu ser salvo por volta das 22 horas.
A esposa de Carmelo e mãe de uma das vítimas, Benedita Fermino, disse que havia conversado com o marido e haviam decidido que essa seria a última obra que ele pegaria. ''Ele trabalha com isso há muitos anos mas agora nunca mais vai pegar nem fossa para furar'', garantiu.
O médico intensivista Narciso Marques Moure, que atuou no resgate junto com os Bombeiros, disse que o trabalho foi delicado porque as pedras se ajeitaram como ''um pega-varetas''. Segundo ele, José Carlos sofreu esmagamento de tórax e membros e teve hipotermia, pois ficou com boa parte do corpo submersa pela água que minava do poço. Ele está consciente e respira espontaneamente. Vitor teve distenção do pubis e luxação da coxa direita. Não há previsão de alta para ambos.

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