As companhias aéreas estão em plena guerra com a redução de tarifas, mas se esqueceram de um detalhe: o cliente. As tarifas cada vez mais acessíveis deveriam servir para agradar o consumidor, mas em vez disso estão dando muita dor de cabeça para quem se anima a trocar o ônibus leito pelo avião. Um dos principais problemas é a venda de passagens muito além do número de lugares nos aviões.
Para o próximo feriado (dia 21) as passagens promocionais estão praticamente esgotadas nos vôos que partem de Curitiba. O consumidor pode arriscar ficar na fila de espera pela tarifa promocional, mas na hora ter que pagar o preço sem desconto. Ou mesmo comprar a passagem com antecedência e correr o risco de não embarcar.
Em algumas companhias aéreas, há reservas até o mês de julho para vôos ‘promocionais’. É o caso dos vôos da Vasp para São Paulo. A companhia tem o preço mais baixo, R$ 59,00 (só ida) mais R$ 9,15 de taxa de embarque. Mas para a próxima sexta-feira só há vaga em horários sem desconto, que sai por R$ 103,00 mais a taxa de embarque.
Na Varig, o desconto de 40% - que deixa o preço de ida e volta a São Paulo, mais taxas, em R$ 194,74 - só vale se a reserva for feita com 11 dias de antecedência. Pela Transbrasil, a passagem ida e volta custa R$ 145,00 na promoção, sem contar as taxas de embarque de R$ 18,30, mas para esta sexta-feira todos os vôos estão lotados.
A TAM tem uma das tarifas mais atraentes para São Paulo (descendo em Guarulhos): R$ 81,00 só ida. Para o Aeroporto de Congonhas, o bilhete sai por R$ 102,00. Quem pensa em viajar nesta sexta-feira por estes preços, no entanto, pode esquecer: não há mais passagens. A alternativa é pagar R$ 130,00 para viajar em outros horários, como 7h30. No caso da Rio Sul, a tarifa para São Paulo com desconto é de R$ 101, só de ida. De acordo com o número de reservas, a companhia poderá cobrar o preço normal (R$ 162,00).
Desrespeito - Na segunda-feira, o vôo 147 da Varig, de Florianópolis a São Paulo, com escala em Curitiba, deixou cerca de 100 passageiros para trás. Com passagem previamente comprada para às 8h15, as pessoas tiveram que esperar por outro vôo, previsto para 11h30, e só saíram às 12h10 de Florianópolis.
O diretor da Azza tur Passagens e Turismo, Mauro Melo, informou que o overbook (venda de passagens acima do número de lugares no vôo) causa problemas aos passageiros sempre que a procura por passagens aumenta. ‘‘Essa prática é prevista pela legislação porque existe uma estatística de que pelo menos 10% dos passageiros não comparecem nos aeroportos para embarcar’’, disse.
O coordenador estadual do Procon-PR, Naim Akel, informou que o overbook é permitido, mas há limites que devem ser respeitados pelas companhias aéreas. ‘‘O passageiro que chegar no aeroporto com antecedência e não conseguir embarcar deve ser conduzido ao próximo vôo em no máximo quatro horas’’, informou. Akel disse que as empresas que desrespeitarem essa regra podem ser processadas pelo cliente por perdas e danos, e se não houver entendimento, pode acabar indo parar na lista negra do Procon. ‘‘Estamos terminando a regulamentação da lei que vai nos permitir aplicar multas, o que já acontece em São Paulo e Bahia’’, disse.

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