Passagem de ônibus está 13,3% mais cara em Curitiba
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sábado, 24 de abril de 1999
James Alberti 
Depois de 17 meses sem aumento, hoje a passagem de ônibus de Curitiba passa a custar R$ 0,85, 13,33% a mais do que os R$ 0,75 que vinham sendo pagos. Apesar de haver pouca reação da população (ver opinião ao lado), a União Paranaense dos Estudantes (UPE) e a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) consideraram o aumento abusivo. A inflação dos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, foi de 3,86%. Os estudantes alegam que a tarifa aumentou 214% desde a conversão da Unidade Referencial de Valores (URV) em 1994, quando a passagem custava R$ 0,25.
Segundo Fric Kerin, presidente da Urbs, empresa que gerencia o transporte coletivo na capital, o aumento da tarifa está baseado na alta acumulada no preço dos insumos desde outubro de 1997. O custo do Diesel, por exemplo, aumentou 31,96% e dos pneus 23,8%. Kerin afirma que, apesar do reajuste, a tarifa de Curitiba ainda é uma das mais baratas das capitais do País. Em Florianópolis e Brasília, por exemplo, a passagem custa R$ 1,20.
A folha de pagamento de motoristas e cobradores também teria pressionado o aumento da tarifa. A partir de maio, os motoristas passam a receber R$ 600,00, 7,14% a mais que os R$ 560,00 que ganhavam, e os cobradores R$ 350,00, 4,16% a mais que os R$ 336,00 do antigo salário. Durante coletiva à imprensa ontem, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba (Sindimoc), Denilson Pires, comemorou o aumento como um dos maiores do País.
O sindicato cobrava reajuste salarial desde novembro do ano passado, mas as empresas relutavam em dar aumento. Segundo ele, os empresários queriam forçar os trabalhadores a entrar em greve, para justificar um aumento ainda maior das tarifas, mas não conseguiram. A categoria defendeu o reajuste salarial, mesmo às custas do aumento na tarifa. Os motoristas carregam centenas de vidas todos os dias, justificou o presidente do Sindimoc. Segundo ele, essa também seria a razão dos motoristas terem obtido um aumento maior do que o dos cobradores.
O presidente da UPE, Joel Benin, disse ter informações de fontes da própria Urbs de que a empresa pretende aumentar a tarifa para R$ 1,00 ainda este ano. O presidente da Urbs respondia à acusação quando o sinal da ligação telefônica celular sumiu.
Em Londrina, empresas do setor protocolaram pedido de revisão da planilha que estabelece os valores da tarifa. Ontem, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que ainda não uma decisão sobre o assunto.


