Passagem da 4 série à 5 é crítica
Abandonar a ''tia'' e os colegas com os quais conviveu por quatro anos na 4 série para ingressar na fase seguinte é um momento crucial para o adolescente. É o que a promotora Édina Maria de Paula constata em sua tese e que reafirma o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina.
A tese identifica que entre os 6.489 adolescentes apreendidos que cursavam o ensino fundamental (multirrepetentes ou fora da escola), 2.786 estavam na 5 série. ''Em todas as classes sociais, a entrada na adolescência é uma época de contestação, descobertas e de vinculação a outros grupos. O adolescente com limites vai passar por isso e vai sair do outro lado bem. O que não tem limites vai extrapolar e o próprio sistema educacional vai excluí-lo. Em muitos casos, veladamente'', afirma a promotora.
A assistente da chefia do Núcleo, Marlene de Mello Correia, reforça que a 5 é a série com mais desistências e repetências no ensino fundamental. ''Hoje não temos um trabalho específico para esta passagem de uma escola simples para outra mais complexa'', admite a educadora. Com isso, completa, a tendência é que, embora haja um planejamento para uma ação coletiva, a atuação em sala acaba sendo individualizada e, boa parte das vezes, excludente.
A partir deste ano, o Núcleo fará um trabalho específico com as 5 séries. A coordenadora da área técnico-pedagógica, Rosana Lopes, explica que os pedagogos estão sendo orientados para acolher melhor estes alunos. As aulas serão distribuídas entre professores com maior aptidão para entender estas crianças. ''Até as aulas terão um rodízio diferenciado, respeitando o tempo, o espaço e o modo de educar este aluno'', observa Rosana. (L.A.)





