‘‘Quando eu morrê em minha çepultura nacerá um lindo pé de maconha cujo em sua folha estarão escrito em gota de sangue: eu te amo.’’ A frase, transcrita literalmente, foi copiada da lataria interna do coletivo 314 – Olímpico. Os garranchos foram escritos a lápis, próximo ao último banco do ônibus. Acima da frase, um desenho da folha da cannabis sativa, nome científico da maconha. A droga, que disputa lugar com o crack e a cocaína, segundo os moradores dos bairros por onde circula o 314, é a mola que dá força aos meninos que seguram as armas e partem para o crime. ‘‘Ninguém está a salvo’’, teme um passageiro.
Os passageiros assíduos da linha afirmam que sabem os nomes, conhecem os rostos, sabem os motivos que levam à criminalidade, mas optam pela omissão. ‘‘A vida da família da gente é mais importante’’, diz um morador.
O motorista da TCGL Honestário Ferreira de Souza, 47 anos, assaltado três vezes em 2001, diz que não tem humilhação pior do que ficar com um ‘‘38’’ apontado para o pescoço e uma faca ‘‘chuchando’’ a barriga. ‘‘A gente sente o cheiro da morte’’. A orientação da empresa, de que funcionários não trafeguem com dinheiro, muitas vezes não é seguida à risca. ‘‘Tem que ter um trocadinho para o caso de o assaltante ficar muito nervoso.’’.
O motorista da TCGL Devanir Virgílio de Oliveira foi baleado em novembro do ano passado, quando dirigia o coletivo linha 407 – João Paz, na zona norte. Ele desconfiou de um passageiro que estava no ponto de ônibus e acelerou o veículo, sendo atingido por um disparo, quando tinha acabado de abrir a porta.

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