Curitiba - A greve dos motoristas e cobradores pegou de surpresa a maioria dos passageiros de Curitiba. Algumas pessoas conseguiam chegar aos terminais ou até o centro da cidade, pegando ônibus alimentadores. Quem não tinha condições de pagar as lotações cadastradas pela Urbs (a passagem individual era R$ 2,50) ficou no meio do caminho ou então andou quilômetros a pé para chegar ao destino.
O podador Ricardo Apolinário, de 33 anos, saiu do Bairro Novo, onde mora, na manhã de ontem para levar o filho Lucas ao médico, no posto de saúde do centro. Não conseguiu voltar para casa e teve que caminhar com a criança no colo para voltar ao terminal do Boqueirão. ‘‘Parte do caminho peguei uma lotação clandestina, que estava mais barato’’.
Apesar da Urbs ter informado que não iria tolerar o transporte clandestino, muitos carros particulares rodavam ontem cobrando R$ 2,00, R$, 0,50 centavos mais barato do que o preço praticado pelas lotações cadastradas.
Quem não tinha dinheiro para pagar quase o dobro da passagem de ônibus, teve que esperar. A dona de casa Rosane Aparecida, 25 anos, esperava há mais de uma hora um ônibus para chegar ao Fazendinha e não tinha idéia do quanto teria que aguardar. ‘‘Preciso deixar minhas filhas com a minha mãe, senão não vou poder ir ao médico amanhã cedo’’, reclamou. Ela acredita que a greve é justa, mas não concorda com o aumento da passagem que seria praticado, caso haja reajuste salarial. ‘‘Já está difícil pagar o preço atual’’, salientou.
Nos tubos dos ônibus Ligeirinhos, entre os terminais, muita gente ficou na expectativa para saber como iria voltar para casa. ‘‘Vim pegar uns documentos e agora não sei o que fazer’’, disse o estudante Paulo César, 17 anos, enquanto esperava o ônibus em um tubo da Rua Marechal Floriano.

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