Construídos para oferecerem integração aos passageiros que querem seguir de uma rota a outra, os terminais de transporte coletivo urbano e intermunicipal de Ibiporã e Cambé, ambas na Região Metropolitana de Londrina, não seguem isto à risca. Apesar de serem denominados de terminais, os locais só oferecem o encontro de linhas diversas em um mesmo espaço e a integração no pagamento está restrita a quem tem cartão transporte. Aqueles que pagam no dinheiro em um bairro, descem na estrutura e vão embarbar em outro ônibus precisam desembolsar novamente o valor da passagem.

Em Ibiporã catracas foram retiradas do Terminal Urbano em 2011 impossibilitando controle de passageiros e a integração
Em Ibiporã catracas foram retiradas do Terminal Urbano em 2011 impossibilitando controle de passageiros e a integração | Foto: Anderson Coelho



A tarifa para quem anda de transporte coletivo dentro de Ibiporã e Cambé e entre os municípios é a mesma: R$ 3,90. A aposentada Marilda da Silveira, moradora do conjunto Habitacional Said Mustafá Issa, em Ibiporã, prefere não fazer as contas do quanto já gastou a mais pela falta de integração por quem opta a pagar em dinheiro. "O bairro é distante do centro, então tenho que pegar um ônibus lá e quando chego no terminal tenho que pagar novamente se quero ir para Londrina ou outro bairro dentro de Ibiporã. Isto é ruim, porque tenho certeza que existem mais pessoas na mesma situação", reclama.

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Para a dona de casa Simone Aparecida de Souza, o passageiro não pode ser obrigado a fazer o cartão transporte, já que atualmente esta é a única maneira de embarcar em dois ônibus, passando pelo terminal, e não pagar dobrado. "A intenção deles de incentivarem o cartão é válida, porém não pode ser regra. Eu mesma não tenho condição de ficar indo toda a hora recarregar. Então, prefiro pagar no dinheiro, mas me sinto prejudicada", lamenta. "Na verdade a estrutura não pode ser chamada de terminal, mas sim de um ponto de ônibus grande", aponta.

O terminal do transporte coletivo de Ibiporã, onde também funciona o rodoviário, foi reinaugurado em 2016, após passar por ampla reforma de ampliação e modernização. Na estrutura anterior, uma catraca e cercas permitiam controle de fluxo, até 2011, quando as roletas foram retiradas. Quem descia no local não precisava pagar outra passagem para acessar outro veículo. Segundo uma pessoa que trabalha no terminal, e que preferiu não se identificar, as catracas fazem falta. "Hoje em dia qualquer um fica no terminal, não somente passageiros. Com isso se encontra de tudo", relata. No anúncio da reforma, há três anos, o poder público ainda prometeu um totem eletrônico com os horários dos ônibus, o que não aconteceu.

Já em Cambé solicitação do MP para novo modelo de concessão do transporte coletivo pode abrir debate para a integração
Já em Cambé solicitação do MP para novo modelo de concessão do transporte coletivo pode abrir debate para a integração | Foto: Anderson Coelho



CAMBÉ
A falta de integração no terminal para os passageiros que pagam a passagem em dinheiro se repete em Cambé, que assim como Ibiporã, tem o serviço do transporte coletivo desenvolvido pela empresa TIL Transportes Coletivos. O autônomo Diogo Fernando Borges costuma utilizar duas linhas distintas para se locomover, entretanto tem aberto mão de uma para economizar. "Venho da minha casa ao terminal e vice-versa a pé. O valor de uma tarifa pode não ser muito, mas acumulando vários dias e para quem não tem emprego fixo 'pesa' no orçamento depois. Aqui deveria ser igual ao terminal central de Londrina."

A estrutura de Cambé é nova e foi entregue à população no final de 2017, mais de um ano após o prazo prometido. "No terminal antigo já não tinha catraca e também era assim, sem oferecer este tipo de integração. Só mudou o lugar, porque a forma de funcionar é a mesma. Temos muitas pessoas que vêm dos bairros, descem aqui e têm intenção de ir para Londrina. Se quer fazer isso e não tem cartão, pode preparar o bolso porque a viagem será mais de R$ 15 ida e volta", calcula a consultora de produtos de beleza Graziele de Paula.

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