Passageiros reclamam de alterações em linhas de ônibus
Entre as principais queixas estão a falta de ampla divulgação e "cortes" em alguns horários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de junho de 2019
Entre as principais queixas estão a falta de ampla divulgação e "cortes" em alguns horários
Pedro Marconi - Grupo Folha 

Andar pelo Terminal Central de Transporte Coletivo de Londrina e encontrar cartazes indicando alterações ou “cortes” em linhas do transporte do coletivo não é tarefa difícil. Segundo os passageiros, inclusive, se tornou frequente este tipo de aviso nos últimos meses. “Parece que depois que começaram esse contrato emergencial a situação piorou. Não nos ouvem nem antes, nem depois de mudarem rota e horário de veículos”, opinou o vendedor Rogério Silveira.
A reportagem esteve no local recentemente, visitando todas os pontos disponíveis no terminal, e contabilizou impressões sinalizando modificações em, pelo menos, 15 linhas em um período de seis meses. A maioria não mostrava com especificidade qual foi a mudança ou a motivação. “Só fica sabendo o que mudaram quem pega a circular com frequência”, reclamou a dona de casa Vanessa Ricardo. Muitos papéis já estavam com a leitura incompreensível em razão da ação do tempo.
Entre as linhas com alteração estava a 407 (João Paz). A empregada doméstica Natalia Lima faz uso dos ônibus desta linha diariamente e apontou a falta de alguns horários que antes ficavam à disposição como o principal problema. “Antigamente saía um e com rapidez chegava outro, pouco esperávamos no terminal. Porém, desde janeiro demora mais de 40 minutos, ainda mais entre 14h e 18h. Não dá mais para chegar em casa no horário de antes”, relatou.
A auxiliar de salada Marilda Lourenço afirmou que veículos que circulavam pelo jardim Primavera, na zona norte, foram retirados, fazendo com que os usuários busquem outras rotas. “Tinha o expresso, que era rápido e bom para a população que mora no bairro. Agora o pessoal precisa se deslocar mais, indo para os terminais de bairro. Além disso está sempre lotado, principalmente nos horários de pico. Vamos 'amontoados' dentro dos carros.”
OBRAS DO VIADUTO
Na 406 (Aquiles Stenghel), 14 vias foram acrescidas no trajeto. Já a “Rápido Acapulco”, denominada 605, foi encerrada e absorvida por outras quatro linhas, no sentido Terminal Central. A justificativa foram as obras do viaduto na avenida Dez de Dezembro.
“Na 116 (Angelina Ricci Vezozzo) só temos dois ônibus para embarcarmos no começo da manhã, três na hora do almoço e outros três no final da tarde aos sábados, sentido bairro. Se quisermos utilizar em horários diferentes somos obrigados a procurar outras opções. Só colocam cartazes espalhados, não tem um trabalho de ampla divulgação”, criticou o aposentado José Lima.
REDUÇÃO
No início deste ano, com o fim do contrato de concessão do transporte coletivo em Londrina, o serviço Psiu foi reduzido pela metade, sendo encerradas as linhas 011 (Santa Rita), 013 (Shopping) e 023 (Evangélico). Atendendo a zona leste, a 810 (São João – Tiradentes) deixou de circular das 9h às 15h30. “Precisamos ir ao médico na região da rua Souza Naves, por onde o 810 passa, porém não temos os ônibus. Atrapalhou essa redução. Passamos muito tempo no ponto e o conjunto Giovane Lunardelli, por exemplo, cresceu muito e só tem a linha 106 para usarmos durante o dia. Precisam voltar como era ou dar outras soluções”, expôs a confeiteira Monia Lopes Ferracioli.
Duas empresas são responsáveis pelo sistema no município: TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e Londrisul. Em publicação no site da Prefeitura de Londrina, de julho de 2018, o Núcleo de Comunicação do Executivo informava que a TCGL operava 123 linhas naquele período. Atualmente são 115, de acordo com a assessoria de imprensa da concessionária. Já a Londrisul cuida de 29 linhas, informou a CMTU (Companhia Municipal de Urbanização), sendo estas restritas à zona sul e aos distritos rurais da região.
'POPULAÇÃO É OUVIDA'
Órgão da administração indireta da Prefeitura de Londrina, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) é a incumbida de gerenciar o serviço de transporte coletivo, fiscalizando o trabalho executado e verificando se está sendo seguido o que está previsto em contrato. Segundo a direção de Trânsito da companhia, em texto enviado pela assessoria de imprensa, a opinião dos passageiros é levada em conta no momento de promover alterações em linhas de ônibus, assim como existe acompanhamento após as implementação.
“A população é ouvida por meio dos canais de atendimento, sejam SAC, 'Fale com a CMTU', Facebook, e-mail ou telefone fixo. As linhas criadas e ampliadas foram a partir das solicitações da população e o levantamento dos nossos agentes. Os resultados são acompanhados através de pesquisa e monitoramento dos nossos agentes, setor de planejamento e canais de atendimento, entre outros”, ressaltou.
Elencando justificativas para todas as linhas verificadas pela FOLHA com modificações, a CMTU ressaltou, por exemplo, que na 407 (João Paz) foram atualizados somente os horários de sábado devido a atrasos, tendo em vista que neste dia, antes das 14h, o trânsito na área central é maior do que nos dias úteis. Sobre a 406 (Aquiles Stenghel), o órgão disse que foi ampliado o itinerário para atender o jardim Primavera, que tinha apenas um micro-ônibus. “Agora opera com veículos maiores, a qual ainda aumentou um carro em sua tabela nos horários de pico.”
Em relação a 605 (Rápido Acapulco), a companhia reiterou que com o seu encerramento foram ampliados os horários ou frequências nas linhas 212 e 705. Já a 116 (Angelina Ricci Vezozzo) foi criada em fevereiro para atender a avenida localizada na região leste e suas adjacências.
A CMTU também comunicou que as diminuições em itinerários operados pela TCGL se deu pela empresa contar linhas “integra fácil” como uma só ou com vias de formas diferentes. “Cento e dois e 206, 104/308, 108/109, 112/302, 200/408, 201/209, por exemplo. Contam a linha 102/206 como 102 e assim sucessivamente. É preciso lembrar que as linhas Psiu da Grande Londrina foram encerradas e a 909 absorvida pela 206”, aponta o texto.
Procurada, a TCGL falou que todo o planejamento das linhas, bem como os números de carros que circulam nelas e alterações, são de responsabilidade da CMTU, e que as empresas não têm autonomia para fazer nenhum tipo de mudança. Questionada se a empresa pode pedir mudanças de linhas e percursos, declarou que com o acesso que a companhia de trânsito e urbanização tem aos dados, tem subsídio para fazer isso. O representante da Londrisul foi procurado, porém não atendeu as ligações.


