Passageiros reclamam da falta de estrutura para a espera dos coletivos metropolitanos
Com a tarifa R$ 0,15 mais cara desde o domingo (1); usuários cobram melhorias nos pontos; projeto de construção do terminal metropolitano segue indefinido
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de setembro de 2019
Com a tarifa R$ 0,15 mais cara desde o domingo (1); usuários cobram melhorias nos pontos; projeto de construção do terminal metropolitano segue indefinido
Micaela Orikasa e Luis Fernando Witemburg - Grupo Folha 

O aumento na tarifa nas linhas do transporte metropolitano de Londrina, que passou a vigorar no domingo (1º), gerou um desconforto entre muitos usuários que já sofrem com a falta de estrutura adequada na espera dos coletivos. Os pontos de parada estão distribuídos na avenida Leste-Oeste, próximo ao Terminal Central.
“Precisamos de uma cobertura maior. O problema não é só a chuva, mas também o sol quente. Eu sofro muito com isso porque tenho vitiligo e não posso pegar sol de jeito nenhum. Realmente, a gente precisa ser melhor atendido com uma estrutura de verdade”, disse Francisco da Graça, que mora em Jataizinho (região metropolitana de Londrina) e vem a Londrina diariamente para trabalhar no comércio.
A FOLHA vem acompanhando esse problema há anos. Em 2011, foi noticiado que o governo estadual na época havia autorizado a construção do terminal metropolitano, mas oito anos depois os passageiros continuam com as mesmas reivindicações.
“Não se pode ter vontade de ir no banheiro porque não tem. Se estiver com sede tem que comprar água, e dependendo do horário, a fila chega até a esquina e somos obrigados a ficar embaixo de chuva ou sol quente”, lamentou a moradora de Ibiporã (região metropolitana de Londrina), Mileni Mello, que trabalha como atendente de loja em Londrina. “Não vou nem falar sobre a construção do terminal porque acho que nunca vai sair do papel”, finalizou.
A operadora de caixa Marcela de Oliveira Ferreira também reclamou. "A passagem já é cara. Acho um absurdo uma cidade do tamanho de Londrina, que recebe diariamente tantas pessoas de cidades vizinhas, não ter uma estrutura adequada para fornecer o mínimo de conforto".
Terminal metropolitano
A coordenadora da região metropolitana de Londrina, da Sedu (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas), Sandra Moya, disse que há cerca de um mês a construção do terminal metropolitana em Londrina voltou a ser discutida com mais intensidade entre o governo do Estado, prefeitura municipal, empresas que operam os serviços, Ministério Público e Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina).
“Havia uma expectativa de construir um espaço para acomodar os passageiros no local onde atualmente estão os pontos de ônibus, mas um estudo mostrou que seria inviável, assim como a utilização de parte do Terminal Central. Nada disso caminhou e agora, por determinação do governo estadual, estamos sondando possíveis terrenos particulares que possam abrigar o terminal metropolitano”, afirmou.
Moya adiantou apenas que o terreno deve ser próximo ao Terminal Central para garantir a mobilidade dos usuários. Sobre a responsabilidade pela construção da estrutura, Moya diz que “legalmente é o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná, através da Secretaria de Infraestrutura e Logística. A próxima etapa após a decisão sobre o terreno, será fazer um levantamento de custos”.
Para embasar o projeto de construção do Terminal Metropolitano em Londrina, o governo do Estado utilizará os dados de um estudo de mobilidade urbana que está sendo desenvolvido pelo Ippul. “A ideia é ajudar o Estado e o município a melhorar a circulação metropolitana. Para isso, estamos fazendo pesquisas junto aos usuários para saber como eles avaliam o serviço e também para entender o fluxo em relação aos horários, motivos, frequência de uso do transporte, locais de origem e destino, entre outros”, completou.
A reportagem fez contato com o DER-PR e as empresas que operam os serviços de transporte metropolitano em Londrina para se posicionarem a respeito da adequação dos pontos de ônibus e aguarda a manifestação dos mesmos.
Reajuste
A nova tarifa dos ônibus metropolitanos da região de Londrina começou a valer desde domingo (1º), com um aumento de R$ 0,15. No caso da TIL Transportes, que oferece linhas ligando Ibiporã, Londrina e Cambé, a passagem subiu de R$ 3,90 para R$ 4,05. A mudança foi de 3,85% abaixo dos 4,19% permitido pela Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná) no dia 15 de agosto.
Já as linhas metropolitanas operadas pela Viação Garcia variam de R$ 2,15 até R$ 6,65 – algumas não passam por Londrina. O trecho Londrina-Rolândia teve aumento de R$ 4,15 para R$ 4,30, mesmo valor a mais que o passageiro vai pagar de Rolândia para Arapongas, que passa de R$ 4,55 para R$ 4,70.
O reajuste foi calculado pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e autorizado pela Agepar para o transporte coletivo metropolitano e intermunicipal de todo Estado.


