Passageiros querem processar Estado
Os ocupantes do táxi alvejado por tiros vindos de uma viatura descaracterizada da P2 - serviço reservado da Polícia Militar - na segunda-feira passada pensam em pedir indenização do Estado por danos morais e abalos psicológicos. Três dos quatro ocupantes do táxi prestaram depoimentos ontem pela manhã, no 13º Batalhão da PM.
Os irmãos João Nunes Vieira, 29 e Antônio Luís Nunes Vieira, 34, além de Maurício dos Santos Moreira, 20 anos, se dizem traumatizados com os disparos feitos num provável erro de abordagem policial, no momento em que saíam da firma em que trabalham, no Centro Industrial de Curitiba (CIC), e retornavam de táxi para casa.
Segundo o advogado das vítimas, Rogério Bueno da Silva, dependendo do que for concluído pelo inquérito policial, se entrará com pedido de indenização pelo Estado, por danos morais e abalos psicológicos.
O manobrista Ênio César Gonçalves foi o único baleado, no ombro direito. Ele e o motorista do veículo que os transportava, Ademir Morador, 31, serão ouvidos na terça-feira, provavelmente à tarde. Os policiais que atiraram, os soldados Rosival Procópio, Aguinaldo Gomes Rodrigues, Amarildo Batista, Carlos Roberto Gabasa Domingues Filho também devem depor na terça-feira, só que pela manhã.
Não há como se descobrir o autor do disparo que atingiu Gonçalves, já que o projétil, conforme ordens médicas, não pode ser retirado do corpo da vítima para evitar que se ofenda os ligamentos do ombro. Mas todos eles atiraram e podem responder ao crime de lesão corporal de natureza grave que prevê pena de um a quatro anos, alega o tenente Marcos Dutra Rodrigues, responsável pelo inquérito.
Daqui a duas semanas, sem dia definido, haverá reconstituição do crime, no local dos disparos, em frente a firma Bosch, no Contorno Sul da CIC. Os laudos do Instituto de Criminalística devem ficar prontos na próxima semana. O Estado também poderá responder pelo crime de Ação Penal Pública Incondicionada.
Desde terça-feira, as três vítimas ouvidas se recusam a pegar táxi. A presidência da empresa em que trabalham está liberando um carro para os levar às residências, se a jornada de trabalho prosseguir depois das 23 horas. Este é o último horário de ônibus naquela região.





