Passageiros não gostam de comentar
Os passageiros que pegam ônibus no terminal da CIC evitam falar dos assaltos e vandalismos. É que muitos dos que praticam os delitos são conhecidos no bairro, até moradores vizinhos. Além dos assaltos, quem pega o coletivo à noite pode ser agredido e, em situações extremas, ser violentado. ‘‘Não há segurança, não há policiamento, nem interesse de solucionar este problema’’, queixa-se a estudante Claúdia Regina Matias, que sai todo o dia às 22 horas da aula para embarcar na linha Vila Verde.
Claúdia, que é portadora de deficiência física, diz que nunca foi assaltada, mas jovens pegaram sua pasta escolar até que o cobrador conseguisse reavê-la. ‘‘Não existe no bairro um ponto perigoso, mas diversos. Basta a polícia vir aqui para escolher’’, reclama. Toda à noite, ela espera que passem logo os 15 minutos da viagem do terminal à sua casa. ‘‘A situação é preocupante, porque os jovens que atacam não medem as consequências’’, afirma. Uma mulher, que preferiu não se identificar, contou que foi violentada depois de desembarcar do CIC/Portão. Nervosa ao lembrar do fato, ela preferiu interromper o relato, preocupada também em ser reconhecida.
O técnico mecânico Luiz Carlos Rodrigues diz que a falta de segurança é grande. Usuário do ônibus Carmo/Mafra, ele conta que já viu gente fumando maconha e usando drogas dentro ônibus. ‘‘Eles usam descaradamente sem que ninguém faça nada. Nem os cobradores e motoristas tomam uma posição’’, diz. Luiz Carlos considera que o crescimento do vandalismo e assaltos é culpa da polícia. ‘‘Eles não estão nunca aqui’’, queixa-se.

mockup