Ponta Grossa – Os três passageiros do ônibus da Viação Garcia que morreram em um acidente na madrugada de domingo na BR-376, na região de Ponta Grossa (Campos Gerais) não usavam cinto de segurança. A informação é da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O desastre com o coletivo, que que partiu de Loanda rumo a Curitiba, deixou ainda nove pessoas feridas.
Durante uma viagem de ônibus, logo após embarcar no veículo, os motoristas se apresentam aos passageiros e por lei são obrigados a explicar sobre a obrigatoriedade do uso desse equipamento de segurança, que diminui a possibilidade de morte em até 75% em caso de acidente.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e a Resolução 643 da Agência Nacional de de Transportes Terrestres (ANTT) determinam a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança para condutores e passageiros em todas as vias de território nacional. Não usar o equipamento durante toda a viagem é infração grave e a multa para o motorista e para a empresa pode atingir até R$ 3 mil, além da perda de cinco pontos na carteira.
O inspetor Fernando Oliveira, do Núcleo de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal, afirmou que a legislação não prevê multas para os passageiros, mas recomendou que as pessoas utilizem o equipamento durante as viagens. "O problema é que essa irregularidade é difícil de constatar, pois quando um ônibus é abordado, o intervalo de tempo entre a ordem para o veículo parar e o ingresso do policial no ônibus permite que as pessoas que estão sem o cinto coloquem o equipamento", declarou.
O motorista de uma empresa de ônibus ouvido pela reportagem destacou que mesmo fazendo a orientação, cinco minutos depois os passageiros soltam o cinto de segurança em busca de mais conforto na viagem. "Nós fazemos a orientação sobre o cinto, sobre o extintor e a respeito das saídas de emergência, mas de cada 42 passageiros, apenas dez permanecem usando o cinto aqui na região", apontou o motorista.
Segundo um levantamento realizado pela ANTT, apenas 2% das pessoas utilizam o cinto de segurança em todo o Brasil. Segundo informações do site da ANTT, bater num objeto fixo a uma velocidade de 60km/h equivale a cair de um prédio de quatro andares (numa altura de aproximadamente 14 metros). Se a velocidade for de 80km/h, o impacto equivale ao de uma queda livre de 25 metros.
A reportagem entrou em um ônibus de linha ontem e constatou que todos os passageiros estavam sem o cinto de segurança. Wesley Ribeiro, de 18 anos, chegou a admitir que nem sabia que os ônibus possuíam cinto de segurança, mesmo com um aviso escrito na sua frente. "Ah, é que é a segunda vez que eu viajo", justificou.
Mesmo tendo afivelado o cinto depois de ser alertado pela reportagem, a passageira Maria Luiz, de 65 anos, ressaltou a importância de ter o cinto à disposição. "Temos que viajar em segurança. Eu nunca conheci ninguém que tenha sofrido acidente de ônibus, mas é importante", opinou. A estudante Amanda Ribeiro de Souza, de 21 anos, que também estava sem o cinto, afirmou que não havia colocado o equipamento por falta de hábito. Depois de ter sido informada sobre o acidente em Ponta Grossa, ela mudou de ideia e colocou o cinto rapidamente.
O analista de marketing da Viação Garcia, Thyago Douglas Gomes, afirmou que, além dos motoristas realizarem a orientação antes das viagens, os sacos de lixo individuais colocados em cada assento reforçam a mensagem da obrigatoriedade do uso do equipamento. Ele afirmou que a empresa estuda imprimir a mensagem nos protetores de encostos dos ônibus. "Além disso, veiculamos a recomendação nos monitores de TV que ficam no ônibus", apontou.
A relações-públicas da Polícia Rodoviária Estadual, Jaqueline Soares, destacou que nas regiões Norte e Norte Pioneiro foram registrados nos 12 postos de fiscalização 4.578 autuações por falta de uso de cinto de segurança em 2013 e 3.587 autuações pelo mesmo motivo em 2014 em qualquer tipo de veículo.

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