Passageiros disputam espaço com mato para tomar ônibus
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
Paulo Monteiro<br>Grupo Folha 
Seja para ir ao trabalho ou ao colégio, a espera pelo transporte coletivo é sempre um aborrecimento para os moradores da Comunidade Três Figueiras, na zona leste de Londrina. Os pontos de ônibus na região não recebem manutenção há um bom tempo. Não têm calçamento e os usuários aguardam pisando na terra. Outro problema é que o mato cresceu tanto que "esconde" as pessoas.
Um deles fica ao lado da casa do vigilante Sisenando Vitalino dos Santos, que diz que o local só não está tomado pela vegetação porque ele não deixa. "Quando o mato começa a crescer, eu mesmo vou e retiro com a enxada. Mesmo assim, é complicado. Quando chove, por exemplo, a terra vira barro", conta. "Dá muita dó das crianças. Elas pegam aqui o ônibus para a escola, localizada no Jardim Eucaliptos (zona leste). Algumas delas acabam se sujando bastante por causa do barro", lamenta.
Para evitar contratempos, apesar da maior distância, ele usa a pista asfaltada que liga a Avenida Saul Elkind com a cidade de Ibiporã para chegar aos estabelecimentos da região. "É melhor andar vários quilômetros do que passar alguns metros pelas ruas de terra da Três Figueiras. A gente gasta mais tempo, mas não corre o risco de ficar atolado", acrescenta. Alguns usuários, antes de chegar ao ponto de ônibus, ainda são obrigados a caminhar sobre o barro. Não existe calçada e os moradores são obrigados a dividir o espaço com os veículos, que levantam poeira ou jogam água suja das poças sobre as pessoas.
A reportagem entrou em contato com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), responsável pela manutenção dos pontos de ônibus, que informou que 200 unidades já foram trocadas e que tem "ciência" sobre o ponto de ônibus sem calçamento. Segundo a CMTU, a troca da estrutura já estaria na relação da companhia. O novo ponto, detalhou, possui estrutura mais robusta, inclusive com bancos, e exige calçamento.
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Vitor dos Santos Junior, admitiu que a reforma das ruas da Comunidade Três Figueiras ainda não está no cronograma, mas recomendou aos moradores que encaminhem um pedido por escrito à secretaria. "Por causa das fortes chuvas, estamos atendendo de maneira emergencial as estradas rurais que foram prejudicadas e não será possível atender rapidamente esta região. Mesmo assim, é importante que o pedido seja registrado", disse Santos Junior.


