Londrina – Dois números chamam bastante atenção no trânsito quando o assunto é o uso de cinto de segurança por passageiros. Um deles é o baixo número de pessoas transportadas no banco traseiro que usam o dispositivo, uma prática obrigatória. Segundo cálculo da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), de cada 100 passageiros apenas de 3 a 7 afivelam o cinto de segurança. O outro dado preocupante neste cenário é o percentual pequeno de multas envolvendo este tipo de infração. No Paraná, isso equivale a pouco mais de 10% das multas por falta de cinto.
Em 2013, conforme o Departamento de Trânsito (Detran), foram 174 mil infrações pelo não uso do cinto de segurança, incluindo as cometidas por condutores. Deste total, só 20 mil abrangiam passageiros. Até outubro do ano passado, foram 154 mil autuações por falta de cinto de segurança; 19 mil envolvendo passageiros.
O chefe do departamento de Medicina do Tráfego Ocupacional da Abramet, Dirceu Rodrigues Alves Júnior, analisa que a falta de fiscalização contribui para que o cinto no banco traseiro custe a se tornar um hábito. "A fiscalização é precária, não existem recursos humanos suficientes. Por isso, as pessoas não respeitam, não cumprem a lei", diz ele, ao fazer um alerta. "Quem transporta é o responsável pela segurança de quem está carregando. Está sujeito a multa e a arcar com os danos causados a quem vai no banco de trás", reforça.
Alves destaca que existe uma falsa sensação de segurança no banco traseiro e que as consequências do não uso do cinto podem ser fatais em caso de acidente. Para se ter uma ideia, explica, o peso de quem está sentado atrás, sem cinto, pode aumentar até 20 vezes se o passageiro for arremessado para frente numa colisão.
Um exemplo de impacto que o médico usa é o transporte de um cachorro pequeno, solto no banco. O animal de estimação pode pesar apenas 3 kg, mas, na colisão, será lançado com a força de um bicho de 60 kg. O mesmo pode acontecer com uma mala que é alocada no banco de trás ou ainda uma criança fora do bebê conforto, cadeirinha ou assento elevatório corretamente fixados no banco.
A projeção para frente, durante uma batida, também ocorre na mesma velocidade do veículo. "Se o carro está a 100 km/h, o indivíduo será lançado nessa velocidade. O risco de causar uma lesão em quem está no banco dianteiro é muito grande, seja provocando um traumatismo craniano, lesão na coluna cervical ou morte ainda no local do acidente", observa o representante da Abramet.
Ele pontua que entre os benefícios de dizer "sim" ao cinto de segurança estão a proteção de 100% da bacia, 56% do crânio, 45% do tórax, 40% do abdômen e 60% da coluna vertebral, no caso do cinto de três pontos.
A professora Elean de Araújo Lima, de 44 anos, prefere fazer parte do grupo dos prudentes. No carro dela, os familiares que ocupam o banco de trás só são transportados com cinto de segurança, na cidade e na estrada. A mãe dela, dona Eleny Morais, também faz questão de usar o dispositivo e seguir viagem mais tranquila."É importante porque sempre escutamos que quando tem acidente os danos podem ser mais graves quando não se usa o cinto", afirma Elean.
O mesmo acredita Camila Marins de Almeida, de 25, também professora. O filho dela, João Victor, de 7, até reclama do cinto de segurança na cadeirinha, mas ela diz que não o transporta solto no banco de trás de forma alguma. "Prezo muito pela segurança dele", define.

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