O primeiro dia útil de circulação de ônibus na Linha Verde, em Curitiba, misturou atrasos, confusão de passageiros com os novos trajetos, críticas e elogios dos usuários do transporte coletivo. Desde o último sábado, 14 novos ônibus estão circulando na linha Pinheirinho-Carlos Gomes. Ela deve atender, inicialmente, 32 mil passageiros por dia no eixo sul. De acordo com a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), órgão que administra o transporte coletivo na Capital, o dia de ontem foi tranquilo, sem grandes incidentes.
A Urbs não recebeu nenhuma reclamação formal, informou a assessoria de imprensa. Até ontem, o órgão ainda não havia levantado o monitoramento do primeiro dia útil de operação, o que deve ocorrer hoje.
No Terminal do Pinheirinho, nas oito estações-tubo no caminho até a Carlos Gomes, e na própria praça, agentes da Urbs vão estar disponíveis até o final da semana para orientar os usuários. Segundo o órgão, as principais dúvidas surgem nas linhas coletoras, onde o passageiro vindo dos bairros pode fazer a integração sem a necessidade de ir até os terminais. O fiscal da Urbs Jair Lucca, que comanda a orientação no Terminal do Pinheirinho, confirma. Segundo ele, os usuários estão procurando saber onde embarcar, qual o trajeto da linha e o destino final.
Além das dúvidas com a novidade, a Urbs registrou atrasos no tempo de trajeto entre o Terminal Pinheirinho e a Praça Carlos Gomes. A previsão é de que cada viagem deva demorar 30 minutos. Fiscais registraram atrasos de até seis minutos. A explicação de Lucca é que isso se deve ao tempo gasto para informar os passageiros sobre a mudança. "Os motoristas também estão orientando. Alguns estão parando para deixar descer passageiros que embarcaram errado. Os atrasos devem diminuir assim que as pessoas se acostumarem", diz. O fiscal informa ainda que, caso a confusão permaneça, os agentes da Urbs continuarão nos terminais para informar os usuários.
Nas estações-tubo, que agora permitem que os passageiros troquem de ônibus dentro delas, o problema é em relação aos alimentadores. "As pessoas descem dos ônibus que vêm dos bairros e acham que podem pegar ônibus no tubo do outro lado da Linha Verde. Têm que pagar outra passagem", explica o cobrador João Leopoldo. Na estação em que ele trabalha, a Vila São Pedro, a usuária Eliane Alves errou o ponto de descida depois da mudança. O ônibus não parou no local de costume, obrigando-a a descer na estação mais longe e seguir o trajeto a pé. "Achei complicado. Não avisaram que não iria parar no ponto. A minha primeira viagem na Linha Verde não foi muito boa", conta.
As novas linhas, no entanto, não foram só objeto de crítica. Muita gente elogiou a rapidez do transporte. Foi o caso de João Nunes Filho, 61 anos, que, logo pela manhã, pegou a linha Pinheirinho-Carlos Gomes para ir ao Centro e depois voltou para casa no mesmo ônibus. "Foi uma boa viagem. O ônibus está mais rápido porque tem poucas paradas. Antes demorava mais. Além disso, está mais espaçoso. Aprovei a mudança", avalia.
O estudante Fernando Minislan, 18, concorda. Para ele, ir e voltar da faculdade ficou mais ágil. "Pegando o ônibus da Linha Verde, estou economizando 15 minutos. E, pelo menos hoje, não estava lotado".
Com a inauguração da Linha Verde, a Prefeitura de Curitiba pretende desafogar o inchaço de passageiros no eixo sul, que recebe por dia 260 mil passageiros. O eixo sul é formado pelas canaletas das avenidas Winston Churchill; República Argentina e Sete de Setembro. Pela Travessa da Lapa e Rua Presidente Faria, no Centro, liga-se ao Eixo Norte.
De acordo com pesquisa da Urbs, 28% dos passageiros que se deslocam usando o Eixo Sul e passando pelo Terminal do Pinheirinho querem descer no Centro. A Urbs espera que eles migrem para a Pinheirinho-Carlos Gomes. A nova linha é pelo menos dez minutos mais rápida que linhas antigas com o mesmo destino, diminuindo o número de passageiros dentro dos ônibus no horário de pico, no começo da manhã e final da tarde.

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