Passageiro morre ao esperar vôo em Curitiba
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sábado, 31 de março de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um passageiro que esperava para embarcar em um vôo que sairia do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, sofreu um enfarte ontem pela manhã e morreu após ter sido levado a um hospital. Este foi o problema mais grave registrado no terminal em decorrência do caos nos aeroportos brasileiros devido à greve dos controladores em todo o País.
Segundo a assessoria de imprensa da Infraero, um passageiro identificado como Luiz Fernando Ferrari Mosca passou mal por volta das 5h30 de ontem. Ele deveria ter embarcado na sexta-feira, mas como seu vôo acabou sendo cancelado, decidiu passar a noite na sala VIP do próprio aeroporto. Depois de ser atendido por uma equipe da Infraero, ele foi levado para o Hospital Santa Cruz, onde deu entrada às 6 horas. Pouco depois, acabou falecendo. O hospital informou que Mosca sofreu um infarte. A infraero não soube informar a idade do passageiro e em que vôo ele embarcaria.
Não bastassem os resquícios da paralisação dos controladores de vôo, o aeroporto Afonso Pena esteve fechado para pousos até às 8h35 de ontem por causa de um nevoeiro. Nove vôos foram cancelados, incluindo um que partiria às 10h15 para Brasília. Passageiros que embarcariam no vôo se mostraram indignados. ''É uma situação caótica e uma falta de respeito ao cidadão'', afirmou a professora universitária Maria Madalozzo Ramos, 53 anos. Junto com mais três professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ela iria para Brasília, onde faria conexão para Recife, local de um congresso sobre educação à distância do qual participariam. Com o cancelamento, os professores acabaram desistindo da viagem.
Em Londrina, o saguão do Aeroporto amanheceu, relativamente, vazio, ontem. Poucas cadeiras eram ocupadas por passageiros que esperavam seus vôos para o final da manhã. Entre eles estava a enfermeira Leila Boff. ''Espero sair daqui às 12h para Congonhas e chegar em Porto Velho (RO) às 2h20 de amanhã (hoje). Na ida para Cascavel, gastei duas horas a mais em escalas não programadas. Tomara que a situação se restabeleça o mais rápido possível'', disse a passageira, que viajou oito horas de ônibus entre Foz do Iguaçu e Londrina porque não havia lugar nos aviões.
A noite de sexta-feira foi longa para 32 amigos de São Paulo. Eles vinham de uma pescaria em Corumbá (MS), com 400 quilos de peixe, quando foram surpreendidos pela greve, em Londrina. Após horas de negociação, eles conseguiram que a empresa aérea fretasse um ônibus para voltarem à capital paulista.
A greve dos controladores começou na sexta-feira, no Cindacta-1 (que controla o tráfego na região Centro-Oeste), por volta das 17 horas, quando os controladores começaram a aumentar o intervalo entre as decolagens. Às 18h40, as decolagens deixaram de ser autorizadas - exceto para ambulâncias aéreas, emergências ou vôos de autoridades federais. Os efeitos da paralisação foram rapidamente espalhados para todos os aeroportos do país. Os controladores querem a criação de uma gratificação emergencial e a desmilitarização do setor. No início da madrugada, o Palácio do Planalto confirmou o fechamento de um acordo que pôs fim à greve. De acordo com minuta assinada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e a secretária-executiva da Casa Civil da Presidência, Erenice Guerra, a discussão de um novo modelo de controle de tráfego aéreo começará na próxima terça-feira, dia 3. (Com agências e Betânia Rodrigues)


