Páscoa que toca gerações
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quinta-feira, 05 de abril de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
''A solidariedade tem muito mais a ver com o quanto estamos dispostos a nos doar do que o que temos para dar.'' A afirmação é da coordenadora pedagógica da Escola Oficina Pestalozzi, Maria Cristina Silva, e resume muito bem iniciativa das 16 crianças da Fundação que visitaram esta semana, pela primeira vez, o Lar dos Vovozinhos, na Vila Nova (Área Central de Londrina).
Com a encenação de uma peça de teatro sobre a Páscoa e horas de animadas conversas com os idosos, as crianças alegraram a tarde das cerca de 60 pessoas, com idade entre 70 e 100 anos, que moram no local. A visita surpresa teve direito até a entrega de barras de chocolate e coelhinhos confeccionados pelas 160 crianças que participam das atividades da Escola Oficina.
''Eu adorei a visita das crianças, porque anima a gente. Páscoa é falar de vida e existe alguém melhor para representar a alegria de viver do que uma criança?'', perguntava o aposentando Deosdete Xavier Gomes, 71 anos, enquanto aplaudia a apresentação da peça 'Páscoa das galinhas', pelos jovens atores.
Emocionado, Walter Caldeirão, 81 anos, explicou o motivo das lágrimas. ''Elas me fazem lembrar meus netos. É muito bom receber estas visitas inesperadas. Queria que tivesse sempre'', acrescentou.
Preocupado em ajudar uma idosa que tentava abrir, com dificuldade, o pacote da barra de chocolate, Bredo Lima, 9 anos, sorriu com doçura de quem já começa a entender um pouco mais sobre a vida: ''Estou contente por estar aqui. Eu nunca tinha visitado um asilo, não imaginava como eles precisam da gente.''
De acordo com a coordenadora pedagógica, a ideia de organizar a tarde diferente com os idosos surgiu como uma das ações para colocar em prática o projeto ''Criança Cidadã - Construindo Valores'', que busca despertar as virtudes que são trabalhadas durante o ano nos educandos.
''Acreditamos que ajudar as pessoas é um excelente exercício para a autoestima do educando. Apesar das crianças atendidas estarem em estado de vulnerabilidade social, ensinamos a elas que a solidariedade não depende do nível social, mas da boa vontade de realizar o bem ao próximo'', destacou. ''E como, muitas vezes, os vovozinhos não têm essa oportunidade de serem lembrados, resolvemos direcionar a atividade a eles.''
Iniciativa que já fez nascer uma bonita amizade entre a aluna Fernanda Sara Calazans, 9 anos, e a idosa Angelina de Lima, 88 anos. ''Pode deixar que eu seguro o chocolate, vou comer tudo'' dizia a idosa, que apesar da diferença física aparente em relação à menina, mais parecia outra criança ao lado da aluna.
A Escola Oficina Pestalozzi funciona diariamente das 8 às 11h50 e 13h20 16h50. Durante o contraturno escolar, as 160 crianças, de 6 a 12 anos, participam da hora do conto, das aulas de cidadania, dança, esportes, trabalhos manuais, além das oficinas de grafite.


