Olhos vermelhos ou pretos, pele branca ou escura, dócil, o coelho encanta as crianças. Desde a época dos egípcios, ele é visto como símbolo da Páscoa por representar a fecundidade e a reprodução constante da vida. Mas para a grande maioria das crianças, o que importa mesmo é o que essa época significa a chegada do ''coelhinho da Páscoa'' e, em consequência, os ovos de chocolate.
Para a religião católica, o símbolo mais importante da Páscoa é o cordeiro e não o coelho. O padre Romão Antônio Martins, responsável pelo setor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, explica que no Novo Testamento o cordeiro simboliza Cristo, o cordeiro de Deus sacrificado em prol da salvação da humanidade. ''O coelho, o chocolate e o ovo não possuem significados bíblicos nem religiosos, mas sim de tradição cultural'', diz.
O padre salienta que Páscoa é ressurreição, tempo que vem depois da Quaresma, quando os cristãos são chamados de forma especial à conversão. ''Quem conseguiu, por meio de práticas penitenciais, morrer para o erro e o pecado, mudando seu coração e tornando-se melhor, mais justo e solidário, também ressuscitou, pois é um homem renovado''.
Sem considerar o coelho como um símbolo, o zootecnista e presidente da Associação Científica Brasileira de Cunicultura (ACBC), Cláudio Scapinello, lamenta o fato de o animal ser lembrado só neste período. Para ele, seria muito bom que todas as pessoas pudessem conhecer e consumir a carne de coelho, que é fonte de proteína de alta qualidade para a alimentação humana.
''Se por um lado, essa situação estimula a criação do coelho como animal de estimação, por outro, esse apego e mensagens presentes nesta época prejudicam muito a utilização dele na alimentação. Raramente uma criança ou mesmo um adulto, que tenha este animal para companhia, concebe ter no prato do dia a carne desse animal'', diz Scapinello.
Na Europa, o coelho faz parte da alimentação desde épocas remotas. No Brasil, o animal foi introduzido de forma mais significativa na década de 1950, no Rio Grande do Sul, vindo da Argentina. Esses aspectos, aliados a uma maior conscientização, fazem com que o hábito de consumo da carne de coelho seja mais difundido entre os povos de origem européia.
''Hoje, o estado que mais produz coelhos no Brasil é São Paulo, além das regiões Sul e Sudeste do País, onde o clima é mais propício para a sua criação'', ressalta o zootecnista.
O pecuarista Mário Brunelli produz coelhos há mais de 15 anos no seu sítio em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A produção é voltada, principalmente, para o comercialização em pet shops, mas, alguns clientes de Brunelli compram coelhos já abatidos para consumo da carne.
Hoje, o pecuarista possui cerca de 40 animais, mas já chegou a ter mais de 300. Ele conta que cada coelho é vendido ainda pequeno por R$ 4,00 para os pet shops e o adulto por R$ 15 o quilo. ''Na época da Páscoa são muitos os pedidos'', comenta Brunelli.
Para atender a demanda, todos os finais de semana o pecuarista, que mora em Londrina, vai até seu sítio em Tamarana para cuidar e buscar coelhos para os pet shops. O neto de Brunelli, o pequeno Kauan Narimatsu Brunelli, de apenas 3 anos, sempre acompanha o avô. ''Eu o levo e ele fica todo feliz'', diz.

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