Parto na calçada será investigado
A Secretaria Municipal da Saúde vai abrir sindicância para decobrir o que realmente aconteceu com Elizabeth Finder, 23 anos, que teve, anteontem, uma criança na rua, em Curitiba. A jovem afirma que o médico Plínio Bezerra de Almeida Júnior, que a atendeu no posto de saúde, não teria feito o encaminhamento correto quando soube que ela estava em trabalho de parto. No entanto, o secretário João Carlos Baracho afirma que não houve negligência por parte dos profissionais do posto de saúde da Vila Pinto, onde a jovem procurou atendimento. O resultado da sindicância deve ser apresentado dentro de duas a três semanas.
Internada na Maternidade do Hospital de Clínicas, de onde deve receber alta hoje, Elizabeth, que veio de Laranjeiras do Sul há quatro meses, acusa, num depoimento confuso, que o médico que a atendeu teria apenas apalpado a sua barriga, diagnosticando que o parto deveria acontecer no dia seguinte. Depois, ainda segundo ela, o médico decidiu encaminhá-la ao Hospital de Clínicas, mas apenas para acompanhamento médico. Acho que o problema desse caso foi a falta de entendimento entre o médico e a paciente, diz o secretário João Baracho.
Baracho afirma que Elizabeth teve um tratamento especial quando foi ao posto de saúde, sendo passada na frente de 20 pacientes que estavam na fila de atendimento. O médico pediu para aguardar a ambulância, que a levaria ao hospital, mas, ao invés disso, Elizabeth saiu da unidade sem ser vista, afirma Baracho. Depois que o médico não atendeu, decidi ir com minha amiga Marta sozinha ao hospital, rebate a mãe.
Saí do posto de saúde e tive a criança, a 100 metros dali, com ajuda de pessoas que viviam ali perto. Nem médico apareceu, diz Elizabeth. Mas o secretário diz que o médico, logo que soube do parto, saiu para atender, cortando o cordão umbilical, auxiliado pelas enfermeiras, que enrolaram a criança. Segundo o secretário, a jovem não teria feito o acompanhamento pré-natal.
Agora, Elizabeth diz que pretende buscar seus direitos. Ainda não sei como, mais quero que resolvam meu caso, diz. Baracho diz que a sindicância, formada por dois procuradores, dois integrantes do Conselho Municipal da Saúde e a autoridade sanitária da unidade de saúde vai ouvir as pessoas envolvidas - paciente e profissionais. Além disso, ela vai receber auxílio no pós-parto. Afinal, sua criança é prematura e está pesando abaixo do peso normal.Albari RosaElizabeth Finder teve o filho na calçada, ao deixar posto de saúdeIsrael Reinstein





