Parto humanizado já é realidade em Londrina
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quinta-feira, 24 de julho de 2008
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
A empregada doméstica Cleusa Aparecida da Silva passou pela segunda vez pela experiência de ter um filho de parto natural. Miguel veio ao mundo cheio de saúde na última terça-feira, às 5h15 da manhã, na Maternidade Municipal de Londrina. Ontem de manhã, ele e a mãe aguardavam a última consulta com a médica. O bebê ainda passou pelo teste do pezinho antes de receber alta no começo da tarde.
Mãe e filho não se separaram desde o nascimento. O bebê ficou no berço, ao lado da cama da mãe. Aqui a gente é muito bem tratada. Recebi todo o apoio e orientação para continuar amamentando meu filho, conta. No alojamento de pré-parto, Cleusa foi acompanhada por uma prima, já que o marido estava viajando e só conheceu o filho na quarta-feira.
Cleusa é mãe de uma menina de dez anos e no parto de Miguel conseguiu comparar a diferença entre os atendimentos. Quando minha filha nasceu ela ficava no berçário e só vinha para o quarto para mamar. Depois levavam de volta. Hoje, o Miguel fica aqui comigo. É muito melhor.
Apesar dos poucos dias de vida do filho, Cleusa afirma que o menino é muito mais tranqüilo, dorme o tempo todo e só acorda para mamar. Ele é forte, suga bem o peito. Acho que fica mais seguro pelo fato de estar perto de mim.
O tipo de atendimento recebido por Cleusa é uma exigência do Ministério da Saúde em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No dia 22, a Anvisa divulgou normas que deverão ser seguidas em todas as maternidades do País, públicas ou privadas. O objetivo é prestar um atendimento mais humano às gestantes, incentivar o parto natural e estimular exercícios físicos que evitem o uso de medicamentos para combater a dor.
Por ano, são registrados cerca de 3 milhões de nascidos vivos no País, sendo que quase 2,1 milhões nascem nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, 1,4 milhão correspondem a partos normais e 670 mil são cesarianas.
Na Maternidade de Londrina, que realiza em média 350 partos por mês (75% normal e 25% cesariana), o atendimento humanizado já é uma realidade há cinco anos. Em 2005, o hospital ganhou o Prêmio Galba de Araújo, que reconheceu a instituição como a melhor no setor de humanização de partos.
O atendimento às gestantes inclui a permanência do bebê no quarto desde o nascimento. O berçário, com capacidade para oito leitos, permanece praticamente vazio. Por ele apenas passam os bebês que precisam de atendimentos simples. Os casos graves são encaminhados para outros hospitais com estrutura maior.
A mãe também tem direito ao acompanhamento do pai da criança ou mesmo de um familiar durante o período que antecede o parto. Elas recebem estímulos através de exercícios físicos e massagens que ajudam no nascimento do bebê. As gestantes também são incentivadas a optar pelo parto normal e o aleitamento, além de realizar vários exames nos bebês, como teste do pezinho, da orelhinha e dos olhos.
Segundo o diretor clínico da Maternidade, Evaldir Bordin Filho, o prédio abriga oito leitos de pré-partos para atender gestantes em trabalho de parto e outros 40 leitos de puerpério, onde as mães permanecem com as crianças durante 48 horas, antes de receberem alta. O alojamento com apenas duas pacientes por quarto permite uma privacidade maior para as mães.


