''Eu não sabia direito o que tinha. Só sentia um vazio'', conta o microempresário Gustavo, 22, que prefere manter sua identidade preservada. Ele até chegou a se consultar com um psicólogo, mas o achou ''muito frio''. ''Parecia que eu estava sendo avaliado o tempo todo'', diz.
Até que, em 2007, conheceu a filósofa clínica Nichele Paulo, para quem prestava serviços na área de informática. Interessou-se pela metodologia e inverteu os papéis: fez da cliente sua terapeuta, e garante que não se arrependeu. ''Fiquei à vontade para dizer o que sempre quis, mas não podia'', afirma.
A terapia durou cerca de cinco meses e o ajudou a superar seu problema com a bebida. Arrimo de família desde muito novo, Gustavo descobriu que bebia para chamar a atenção das pessoas próximas. ''Sempre cuidei dos outros e nunca tive ninguém para cuidar de mim'', diz. Ao narrar a própria história durante as sessões, ele também resgatou lembranças de sua avó, que era alcóolatra e tinha rompantes de agressividade. ''Era uma peça que faltava no meu quebra-cabeça''.
Dois anos depois de receber alta, o microempresário garante que aprendeu a se autoavaliar. Percebe melhor as consequências de suas ações e, assim, consegue se controlar. ''Agora eu uso a lógica, a indagação e o questionamento para resolver meus problemas'', resume.
Outro entusiasta da filosofia clínica é o consultor de empresas Laércio Craveiro, 55. Ele não só passou pelo processo terapêutico como contratou um filósofo para ajudá-lo na distribuidora de papel em que trabalhava. Durante dois anos, Craveiro e o especialista percorreram as várias unidades do grupo espalhadas pelo Brasil, conversando com cada um dos 100 funcionários. A experiência, ele diz, tornou as pessoas mais motivadas, compreensivas e bem-humoradas.
Para o consultor, que já passou por outras terapias, a filosofia clínica oferece ao partilhante a oportunidade de encontrar as soluções para os próprios problemas. ''O terapeuta é apenas um condutor, ele não dá conselhos. Você busca ajuda, mas quem resolve as angústias é você mesmo. E isso é maravilhoso'', empolga-se. (O.G.)

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