Partilha que promove mais saúde
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
''Me sinto mais aliviada hoje, porque a terapia me ajudou a deixar de ser tão nervosa. Aprendi a lidar com as pessoas e a amá-las como elas são, sem querer mudá-las.'' O relato da dona de casa Claudia do Carmo, moradora do Conjunto Hilda Mandarino (Zona Norte de Londrina), é somente um entre os inúmeros depoimentos de pacientes que, com o auxílio da Terapia Comunitária Integrativa (TCI), passaram a se conhecer melhor e superaram momentos difíceis de suas vidas.
Neste ano, o programa completa dez anos de atuação em Londrina e, segundo estimativa da secretaria municipal de Saúde, já foram realizadas mais de seis mil rodas de terapia, com 600 grupos foram formados e cerca de 150 mil pessoas beneficiadas. Em comemoração ao sucesso obtido, os terapeutas comunitários e coordenadores das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) participaram durante esta semana do Encontro Bimestral da Terapia Comunitária Integrativa (TCI), na Fundação Tamarozzi.
Os terapeutas revisaram práticas aplicadas na comunidade, expuseram seus trabalhos por meio de cartazes e ainda participaram de uma roda de terapia com momentos de muita música, dança, diálogo sobre suas inquietações e trocas de experiências. Tudo baseado no lema do grupo, de que 'Deus ajuda o homem através do próprio homem'.
Conhecer e reconhecer
''Ser voluntária surgiu meio que naturalmente para mim. Eu já trabalhava como médica e acompanhava inúmeros casos de pacientes que chegavam com doenças que se manifestavam no organismo mas que, na verdade, eram doenças da alma. Foi aí que me despertou o desejo de atuar na causa dos problemas'', conta a médica Denise Kley que, desde 2010 é terapeuta comunitária na UBS do Jardim Ideal (Zona Leste).
''E o mais interessante foi que, além de poder ajudar outras pessoas a se liberarem daquele sofrimento, eu tive a oportunidade de também me conhecer melhor e reconhecer que os meus problemas eram infinitamente menores do que o delas e que eu tinha força sim para superar'', relata.
Já para a auxiliar de Enfermagem da UBS do Distrito de Paiquerê (Zona Sul), Maria Aparecida Aguilera, coordenar o grupo de terapia comunitária da comunidade foi uma maneira a mais de trazer também mais autoestima para os moradores. ''Hoje, eles não precisam mais tomar tantos medicamentos e, apesar disso, sentem menos dores, porque saem mais leves, mais felizes'', destaca.
Inquietações
De acordo com a coordenadora do programa, Maria da Graça Pedrazzi Martini, durante as reuniões dos grupos de terapia comunitária, os pacientes partilham suas inquietações, geralmente relacionadas a sentimentos de medo, angústia, nervosismo e conflitos familiares por dependências de álcool, tabaco e outras drogas, depressão ocasionada por perdas, insucesso ou outras causas e temáticas geradoras de reflexão.
Após essa etapa, a coordenadora detalha que o grupo elege sobre qual problema gostariam de discutir e as pessoas que já passaram por experiências semelhantes falam sobre quais recursos utilizaram para superar seus problemas. ''A partir daí, cada um absorve o que julga necessário para superar a sua própria dificuldade'', diz Maria da Graça, destacando que a TCI tem auxiliado na prevenção de doenças e na promoção a saúde pública, direcionando com mais agilidade as demandas da Atenção Básica.
''Nosso intuito é ouvir e partilhar e apoiar, mas não dar conselhos e nem julgar, porque só a pessoa que está passando por aquele sofrimento sabe o quanto aquilo a incomoda'', ressalta a coordenadora.
Somente em 2011 foram realizadas 548 rodas de terapia comunitária em 18 unidades prestadoras do serviço, sendo 14 delas em Unidades Básicas de Saúde; dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPs III e CAPS AD - álcool e drogas); na Maternidade; e no Cismepar.
Serviço - Mais informações sobre a Terapia Comunitária Integrativa pelo (43) 3372-9830.


