Maringá - A migração de famílias maringaenses para o pequeno município de Vila de Rei, em Portugal, gerou indignação entre os integrantes do Partido Nacional Renovador (PNR). A agremiação – que parece esquecer a história não tão distante que une Brasil e Portugal – está convidando portugueses de todo o país para um protesto no próximo sábado, intitulado: ‘‘Colonatos estrangeiros, não. Alto à Invasão!!!’’.
  A migração de maringaenses é fruto de um convênio entre as prefeituras dos dois municípios. Em Maringá, 760 famílias se interessaram em arriscar a sorte em Portugal – das quais 250 foram foram pré-selecionadas por uma comissão do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), que está coordenando o programa. Os primeiros 15 maringaneses embarcaram na semana passada.
  A página do PNR na internet indica que se trata de um partido pequeno, nacionalista radical, e que empunha bandeiras polêmicas: se dizem contra a União Européia, a importação de produtos chineses e a migração de trabalhadores estrangeiros.
  A presidente do Provopar de Maringá, Luiza Pupin, disse que a informação sobre o protesto ‘‘não procede’’.‘‘Esse partido não é o do presidente de Portugal nem da prefeita de Vila de Rei, o que mostra que eles não têm representatividade. São apenas algumas pessoas que querem criar polêmica, mas os maringaenses não estão sofrendo qualquer tipo de problema’’, afirmou.
  De acordo com ela, Vila de Rei tem necessidade de mão-de-obra jovem porque 90% da população local são idosos. ‘‘As informações que chegaram a nós é que o grupo foi recebido com muito carinho pela população. No dia seguinte, muitos moradores foram até a casa em que eles estão instalados e fizeram uma confraternização. Até as crianças já se integraram com os novos amigos.’’ Luiza disse também que os brasileiros não estão ocupando vagas de portugueses porque estão sendo alocados pelo Ministério do Trabalho apenas para ocupações que estavam ociosas.
  A prefeita de Vila de Rei, Irene Barata, que é um dos alvos principais dos protestos do PNR, em razão do convênio de migração, está em viagem ao Brasil e deve chegar a Maringá amanhã.
  A reportagem tentou conversar com as famílias que estão em Portugal mas não conseguiu contato. A presidente do Provopar disse desconhecer o telefone da casa em que os maringaenses estão instalados.

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